terça-feira, 6 de novembro de 2012

Denúncia:


Julio

Preciso publicar um texto para o teu blog  e vou colocar nas redes sociais referente a uma pratica do Banco Itau que venho por 2 vezes presenciando.
 Allan Monteiro Bacurau

ITAU
FEITO PARA VC??

Pois esta acontecendo a seguinte situação no Banco Itau agencia 9249 da Estrada de Belém – RECIFE PE, onde temos uma conta pessoa jurídica. Pois dias em que a agencia recebe um fluxo de numero de clientes alto, a mesma deixa seus clientes do lado de fora da agencia, no sol, sem a menor condições e isso vale para todo mundo, pessoa física, pessoa jurídica e idosos principalmente, a medida que sai 10 clientes que estão dentro da agencia entra mais 10 que estavam fora e as vezes 15 e assim vai....não existe isso em lugar no mundo se a agencia não comporta o numero de clientes, que faça uma reforma para se adequar ao perfil, mais não pode deixar o seu cliente do lado de fora aguardando outros clientes saírem. O problema é que o Itau vem reduzindo a sua grade de funcionários para garantir mais lucros e lucros a cada ano e não investe em pessoal. Ficam 2 ou 3 funcionários quando existe nos caixas para atender centenas de clientes, no mínimo leva-se 1 hora ou mais para atendimento nos caixa em dias de grande fluxo. Por este motivo a agencia fica lotada, fila e mais fila de clientes, muitas vezes impacientes devido a demora do atendimento que não fica menos que 1 hora aguardando atendimento. E gera todo um caos e reflete nos outros setores, comercial, Gerente Financeiro e por ai vai. Estamos  com uma reclamação  junto ao PROCON, FEBRABAN, PROCURADORIA DA PREFEITURA DO RECIFE.

ESTAREMOS ANUNCIANDO E DENUNCIANDO ESTA PRATICA ABUSIVA EM BLOGS ,  REDES SOCIAIS, COMUNIDADES EMPRESARIAS E JORNAIS LOCAIS. Para que o idiota que teve esta brilhante ideia possa se responsabilizar por esta atitude impensada.

Allan Monteiro Bacurau

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Texto da cerimônia de recebimento do titulo de cidadão do Recife



            “Sou de uma terra que o povo padece, mas não esmorece e procura vencer”. Dizem os versos do poeta Patativa do Assaré.
            Sou da região do Cariri Cearense, do lado de lá da Chapada do Araripe, Sul do Ceará. Devido à proximidade com o Pernambuco, nossa região sempre sofreu uma forte influência acadêmica, social, cultural e até linguística do lado de cá da Chapada.
            Lembro-me ainda criança, ouvir histórias do Recife contadas por àqueles que vinham aqui estudar. Boa Vista, Rua do Sol, Rua da Aurora, Rua do Príncipe eram nomes que, desde muito cedo, povoavam o meu imaginário. Achava Incrível, os lugares serem nominados dessa forma. No Juazeiro do Norte, todas as ruas possuem nomes de Santos: Padre Cícero, São José,  Santa Rosa, Santa Luzia, Todos os Santos e por aí vai.
            Como todos daquele lugar, sou de uma família muito religiosa, estudava em colégio de freiras e morava numa cidade que recebia milhares de romeiros anualmente.  Pessoas de todos os recantos do Nordeste que ao nos visitar, nos presenteavam com suas oralidades, maneiras de serem e agirem.
            O encontro com toda essa gente, que iam frequentemente à terra do meu Padim,  vindas principalmente da Paraíba, Pernambuco e Alagoas, acabava trazendo uma maior identidade nossa com esse povo; até mesmo, maior que o restante do Ceará central e do Norte, onde fica a capital.
            Muito jovem, fomos morar em Fortaleza levados por meus pais. Pessoas com pouco estudo, no entanto, com vista larga. Um casal que abriu mão de alguma estabilidade que tinha, para oferecer possibilidades aos seus filhos. Pais extremamente amorosos, porém bastante disciplinadores.
            Costumo dizer que a criança, o jovem, na educação doméstica até aprende com os ensinamentos verbais, mas aprendem principalmente com os exemplos de quem representam autoridade.
            Como hoje estou sendo adotado por essa magnífica cidade, também fui, na infância, por uma admirável família que juntamente com meus pais conduziram minha formação humanista, ética e moral.
            Nessas famílias, aprendemos sobre tudo, a respeitar e valorizar o Ser Humano; O valor de ser verdadeiro, ser honesto consigo mesmo e com o outro.
 Aprendemos que rir mais, trás felicidade e percebermos que é inteligente sermos gentis, buscar um equilíbrio entre o trabalho e o lazer, poder usar terno e andar descalço, correr no sol e banhar-se na chuva,
Ser firme em seus propósitos, mas nunca perverso. Ser competitivo, sendo também leal.  Buscar posses sem ser avarento. Exercer o poder e não ser tirano. Gostar do azul, mas respeitando quem prefere o vermelho;
Aprendemos ainda, que nunca se chega a um objetivo sozinho e que devemos diuturnamente reconhecer e agradecer àqueles nos ajudaram e ajudam.
 Aprendi que não há equilíbrio sem uma forte ligação com o ser divino, com a fé, pois ela é a matéria prima para o grande enfrentamento desse fantástico espetáculo que é a vida.
Para nós, Cearenses do cariri, Fortaleza era uma terra longínqua. Só quem subia a ladeira do Juazeiro à terra do sol eram aqueles, como foi meu caso, cujos pais trabalhavam em empresas estatais e não lhes restava outra solução.
Recordo-me da boa inveja que sentia quando encontrava minha prima, aqui presente Val e ouvia atenciosamente seus relatos sobre a efervescência da cena cultural da Zona da Mata pernambucana. Tudo aqui era muito bom em seu discurso.
Recife já era nos anos noventa, o segundo polo médico do País e, também por isso, para mim era um sonho, um objetivo a ser conquistado.
Ainda em Fortaleza, estive presente ativamente dos movimentos estudantis e culturais da cidade. No último ano do ensino médio, antigo segundo grau, participei da montagem da peça “Morte e vida Severina”  e assisti, em praça pública, a um espetáculo que reunia Antonio Nóbrega e Alceu Valença, no qual mostravam várias vertentes da cultura Pernambucana. Essa superdosagem de pernambucanidade, aliada a excelência da Medicina aqui praticada, foram decisivas para vir ao Recife fazer meu primeiro vestibular. Era aqui no Recife que eu queria morar.
Não cheguei pelo mangue como o Severino de João Cabral, mas visualizei a beleza do Rio Capibaribe e me apaixonei.
Quem conhece Recife e de sua fonte urbana bebe, jamais a esquece, jamais consegue deixá-la por completo. Como diz o poeta Nilo Pereira – “Essa cidade é mágica, meio bruxa, enfeitiça, quebranta, tira as forças”.
Anos depois, viria estudar e morar definitivamente nesta cidade tão bela, tão rica de recursos humanos e tão cosmopolita.
Aqui fiz muitos amigos, vivi grandes paixões e também aqui plantei minha semente profissional.
Fiz residência médica no Hospital Getúlio Vargas, lugar pelo qual cultivo grande apreço e ainda sinto como minha casa, pois lá ainda se encontram grandes mestres.
Viver em Recife, trabalhar nos lugares que trabalho, conviver com as pessoas com que convivo faz de mim um homem feliz e realizado.
Agradeço a Deus e a Maria Santíssima por ter me dado às famílias e os amigos que me deram; e por terem colocado as pessoas certas em minha trajetória.
Agradeço ao Real Hospital português (pela credibilidade em meu trabalho), A universidade Maurício de Nassau (por permitir-me que faça parte de sua história), a AACD ( por conceder que eu realize um trabalho no qual tanto acredito e amo tanto) e ao Hospital de Fraturas ( Por ter sido o primeiro a acreditar em mim e me estender a mão após a residência).
Agradeço ao povo do Recife que só o bem tem me feito e alegria tem me dado.
Agradeço a Vereadora Dra. Vera Lopes pela sensibilidade, amizade e pelo reconhecimento ao amor e sacerdócio com que exerço minha profissão.
Agradeço aos meus pacientes, aos quais dedico meu ofício, meu amor e meu respeito profundo.
E, finalmente, obrigado a Cidade do recife por me acolher como filho e por tanto júbilo ter me dado.

Júlio Lima
Recife 25/10/12

domingo, 7 de outubro de 2012

Os nínguéns

Um excelente texto de Eduardo Galeno... Uma questão de cidadania!!!


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O protótipo do puxa-saco


                                                   O protótipo do puxa-saco

           Estamos mais uma vez nos aproximando de uma eleição em nosso país. Nesses tempos de euforia civil é bastante comum vermos acompanhando os candidatos ao pleito maior e aos pretendentes às cadeiras das câmaras legislativas uma figura emblemática, enigmática, quase mística, o puxa-saco.
            Acredita-se que o termo puxa-saco teve sua origem ainda no Brasil colônia. Tratava-se de sujeitos que sempre procuravam carregar os sacos de pano com os pertences de militares do exército, recém-chegados no lugar, de olho na gorjeta que poderiam receber.
            Pois bem, a pesar de estarem mais à vista nessa época do ano de eleição, indivíduos dessa espécie podem ser encontrados e reconhecidos em todos os lugares onde a hierarquia esteja presente.
            Traçar um perfil desses sujeitos não é tarefa fácil, pois possuem várias nuances e diferentes representações. Observam-se desde os sujeitos folclóricos subservientes por admiração e amor até àqueles que nutrem raiva e rancor sobre quem bajulam.
Existem os mais empolgados, que não se envergonham, mostram-se em qualquer lugar e ainda levantam bandeira de suas condutas. Alguns gostariam até lançar uma parada como o dia nacional do orgulho dos puxa-sacos.
            Outros por sua vez, absurdamente perniciosos, são enrustidos, dissimulados, mais camuflados que pebas em buraco e mudam de máscaras a cada vento ou evento, a cada interesse.
            Não podemos, contudo, acreditar que a maioria das relações onde o quociente de poder esteja presente siga esse modelo. Claro que há em muitas relações equilíbrio da ligação entre o comandante e o comandado que, por vezes,  atua como amigo e conselheiro, no entanto, sem abrir mão de suas verdades e convicções e sem fazer disso uma moeda de troca.
            A interseção entre todos os lambe-botas de carteirinha parece-me ser a pura falta de pensamento e vontade próprios com uma permissividade canina, acomodando-se falsamente a qualquer situação desde que se tire dela algum proveito momentâneo ou tardio.
            O sujeito bajulador é altamente competitivo. Consome muita massa cinzenta nas incontáveis tentativas de saber o que poderia agradar o seu chefe. Se não consegue fazê-lo, ou pior, se alguém o faz mais rápido, ele chega a angustiar-se, consumir-se, sofrer intensamente. Não por que não agradou seu superior, mas por que alguém ousou, mesmo não intencionalmente, fazer algo que ele tanto desejava, antecipadamente a si.
            O baba-ovo é antes de tudo um sujeito com parca autoestima. Àquele explicitamente lisonjeador talvez o seja por excessiva admiração ou por acreditar ser incapaz de realizar as tarefas que lhe são atribuídas e com medo de perder seu posto lança-se sem pudor aos pés de quem exerce ou representa poder.
            De outra forma, o dissimulado, o mascarado é um elemento isento de valores morais. Absurdamente ambicioso e que, percebendo-se incompetente, não exita em gastar seus dias procurando agradar, das mais simples às mais sórdidas formas, aquele que possua algum atrativo para a conquista de seus objetivos.
            Na verdade há uma proporcionalidade entre o número de lacaios e de chefes bossais que, sem possuírem luz própria, necessitam desse tipo de holofotes. Há um verdadeiro comensalismo entre esses seres anômalos. Existe uma ligação tão intensa de antropofagia energética que ambos criam um campo magnético que os mantém sempre próximo um do outro. Não há subserviente sem tirano.
            O capacho não mede esforços para agradar seu amo: Mente, falseia, faz intrigas, apropria-se de ideias alheias, dar gargalhadas das piadas xenofóbicas, racistas e homofóbicas. Apoia os discursos e pensamentos sem nexos e, se duvidar, ainda dar uma abanadinha no rabo. Tudo pelo pífio ofício de agradar seu superior em troca de ambições vis.
            O puxa-saco orgulha-se de ser apolítico, pois apoia quem possa lhe trazer alguma vantagem.
Não tosse por nenhum time em especial, nem possui religião, não possui uma cor preferida, nem estilo musical próprio.
 É um animal, com perdão aos animais sem querer ofendê-los, apaixonado pelo dinheiro, sem alma, sem pudor, sem fé. Assemelham-se às mais peçonhentas serpentes, pois leva a vida rastejando e destilando veneno.
Quando se encontram numa situação conflituosa, como quando diante de dois hierarquicamente superiores e discordantes, o cara lisa apenas balança a cabeça com sinal de concordância e em hipótese nenhuma emite seu parecer.
Esse tumor social na grande maioria das vezes é absurdamente perverso e debochado sobre seus subordinados. Possui mórbido prazer diante da dificuldade de um colega e é incapaz de ajudar alguém que não tenha nada a oferecê-lo.
Um tipo de xeleléu bastante frequente é o puxa-saco de si mesmo. Esse é terrível, pois acredita piamente que é a última freira virgem do planeta. Acredita-se o fodão. Vive gabando-se de seus feitos ou malfeitos; do quanto, à sua vista curta, é garboso, inteligente, isso e àquilo.
Doutra maneira, geralmente é solitário, pois seu narcisismo lhe impede de enxergar qualquer pessoa além de si mesmo. Como afirmou Plutarco, filósofo grego, quem gosta de bajulação está perdidamente enamorado de si.
O que nos deixa bastante tristes é que esses indivíduos são altamente viris socialmente, ocupam postos estratégicos e interferem na vida de muitos. Com seu ardil e veneno destroem reputações, amores, sonhos, lares, carreiras e amizades.
Assim como cada veneno há um antídoto, para cada puxa-saco há alguém com luz própria e fortaleza de espírito.
Acredito que uma forma eficaz de defender-se desse tipo de verme é ,como aprendi desde cedo com minha mãe, rezar um credo nas costas do sujeito que queira engoli-lo e desejar-lhe o bem”.
Pois sim, a oração e o bem são as vacinas contra os miseráveis de espírito. Por isso, “ore e vigie”, pois sempre valerá a pena ser coerente com seus princípios.
A verdade expressa no verbo e no olhar foi antes construída na alma, por isso, ouros, pratas, louros e títulos, a pesar de serem muito bons, são antes de qualquer coisa, vírgulas, e devem ser conquistados com lisura e trabalho.
Escreva sua história. Honre sua biografia.
Júlio Lima
Médico/professor



               
       

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Revista da ABOTEC


Órteses
STANCE CONTROL
Aparelhos de última geração com controle a fase de apoio





 
 

 


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Aula 1: Contrato pedagógico + Introdução ao Estudo da Traumatologia e Ortopedia


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Tíbia Vara de Blount


terça-feira, 31 de julho de 2012

Um homem de verdade


Recebi, com grande alegria, notícias de um primo querido. Enviou-me uma poesia que escrevera e que, pensando em poesia, lembrara de mim. Compartilho com o(a)s amigo(a)os o texto de UM HOMEM DE VERDADE.(texto na íntegra) 
Júlio Lima


Caro primo!
       Lembrei-me de você agora há pouco quando me deparei com um pequeno texto que esbocei há cerca de 10 anos atrás. Sei o quanto você gosta de poesia, entao pensei "meu primo poeta talvez goste desse texto aqui".
       Infelizmente, a obra nao tem título, mas "Homem de verdade" me parece um título apropriado. Espero que goste.
 
   O homem, verdadeiro, faz o que tem de fazer e não se arrepende. Mas chora.
   O homem, verdadeiro, luta por seus ideais, seus sonhos. Nem vacila, nem se vai embora.
   O homem, verdadeiro, é aquele em quem se confia, constante e firme em seu dia-a-dia.

   O homem, verdadeiro, não tem porque se envergonhar.
   Se erra, conserta; se quebra, repara; se peca, confessa, pede perdão. 
   O homem, verdadeiro, dorme a noite tranquilo, com a consciência limpa, cumprida a missão. 

  Queria, de verdade, ser um homem verdadeiro.
  Ter Deus como companheiro e um amor como companhia.
  Ser lembrado pela proeza, justiça e sabedoria:
 "Eis um homem de verdade! Verdadeiro por inteiro." -- minha lápide diria.
 

A lingua portuguesa eh o que ainda me prende ao Brasil, pois a beleza da nossa lingua nao eh igualada por nenhuma outra. A fim de ilustrar esse fato, segue abaixo o mesmo texto traduzido para o ingles. Veja como eh insipido.
A True Man
(by Waltemar de Sousa)
A man, truthful, does what he must and regrets not. Yet he cries.
A man, truthful, fights for his ideals, his dreams. He hesitates not, nor does he flee.
A man, truthful, is he whom one may trust, steady and firm in his day-to-day existence.
A man, truthful, knows not a reason to be ashamed.
If he errs, he rights; if he breaks, he mends; if he sins, he confesses, he asks for forgiveness.
A man, truthful, sleeps comfortably at night, with a clean conscience, his mission accomplished.
I wish, truthfully, I were a true man.
Have God in my company and a loved one for companionship.
Remembered for his might, justice, and wisdom:
"Behold, a true man! Truthful as a whole." -- thus saith his tombstone.

Grande abraço de seu primo,
Waltemar Jr.

sexta-feira, 13 de julho de 2012



quinta-feira, 5 de julho de 2012

O pálido Ponto Azul

Filme da palebluefilms, sobre texto de Carl Sagan, narrado por ele próprio.
Até quando os homens vão preferirem se materem na ignorância moral? As vezes, imagino que o grande problema da humanidade é o ser humano!


sexta-feira, 22 de junho de 2012

O samba de minha terra

Para: Fábio Castor

            Tive uma infância muito festiva e alegre. Parte dela vivenciada entre o sertão dos Inhamuns e o Cariri cearense, na fazenda Cacimbas, município de Assaré.
            Quando criança, a principal atividade agrícola daquela região era a cultura do algodão que convivia com a pecuária e plantio de subsistência do arroz, feijão, milho e frutas diversas.
            A semana era de muito trabalho, a qual se iniciava logo que o sol expulsava a madrugada e se estendia até à tardinha, quando o sol já cansado, se recolhia.
            Não existia, nas Cacimbas nessa época, energia elétrica. À noite, todos se reunião na casa grande para uma boa rodada de prosa à luz da lua e vigiada pelas estrelas. No oitão da frente ficavam os adultos que papeavam enquanto debulhavam vargem de feijão ou desencaroçavam o algodão que seria vendido em arroubas.
No oitão de trás ficava a moçada jovem com violão a cantarolar, jogo de baralho, brincadeiras como “cai no poço”, onde o rapaz e a moça ensaiavam um enamoramento. E por fim, no meio da casa, nos terreiros e no meio do povo dando conta de tudo que se passava e se conversava estavam os meninos e meninas provocando peraltices.
Nos finais de semana, noite de sábado mais precisamente, existiam os sambas, como eram chamadas as noitadas de forrós do lugar.
Não se comentava n’outra coisa que não fossem os acontecimentos do samba passado e a expectativa do samba que viria.
O cenário dessas festas era um espetáculo à parte. No terreiro das casas montavam-se as bancas de comidas, bebidas e de jogos. Tudo sob a luz do lampião a gás e lamparinas com querosene espalhadas por todos os lugares.
Boa parte da alegria da festa estava no terreiro. No bolo pão de ló feito na lata de sardinha como fôrma e no forno à lenha, nos filhóis de goma saindo quentinho do óleo fervente, da galinha de capoeira feita na hora para tira-gosto dos consumidores de aguardente de cana (cana de cabeça) ou cerveja enterrada e refrigerada em balde de terra. O jogo preferido, de longe, era o bozó, onde os jogadores apostavam seus trocados em números ou símbolos de times de futebol organizados em duas fileiras sobre uma mesa, cujo comando era do dono da banca de jogo, que lançava dois dados sequenciados. Àquele que acertasse os dois valores saia vencedor naquela rodada.
No salão de dança, outro cinema (como se referiam as coisas consideradas bonitas). As mulheres de saia ou de vestido, boca pintada e de pó forte no rosto colocavam-se nas arestas do salão formando uma espécie de círculo mal feito à espera do convite pelo cavalheiro para uma parte de dança. Era uma festa extremamente democrática, tinha pirralhos, jovens, adultos e idosos balançando as cadeiras e mostrando os dentes de felicidade. Em cima de uma mesa ou n’um canto da sala estava o sanfoneiro, acompanhado do zabumbeiro, triângueiro e tocador de pandeiro.
O termômetro da festa era a poeira no meio do salão. Se assim ocorresse, o sanfoneiro era bom. E tome samba a noite toda, o fole roncava, triângulo tinia, pandeiro piava e zabumba amanhecia rouco e de couro fino.
Nessas festanças, com essa gente gaiata cheia de felicidade no rosto e nos pés, sempre ocorriam fatos que viravam “causos”. Era o sujeito que dançava abufelado no cangote de uma nega a noite todinha e que se escondia na hora da paga da quota do sanfoneiro; era o caboclo que torava as correias das japonesas de tanto arrastar o pé; eram as caboclas polidas, “educadas” que despachavam seus pretendentes, que não as interessavam, com uma delicadeza sui generis.
Uma das maiores riquezas do povo nordestino, principalmente da população mais humilde, é a espontaneidade. É a verdade sem entrelinhas. Eufemismos não existiriam se dependessem dessa gente.
Certa vez, num samba de Loló (D. Gulora, epônimo de Glória) estavam Pedro Monteiro, cabra bom, e Antonieta, cabocla polida, educação britânica perdia feio!!!!
Pedro tinha uma fama um tanto quanto “injusta”. Diziam que ele era danado pra acabar samba com as bufas que soltava no meio do salão. Como diziam: - Pôôôôde, caba véi!!!!!!
Pois bem, estava Nieta em pé no canto da sala, braços cruzados e acompanhando a música com a cabeça pra lá e pra cá de forma ritmada, quando Pedro Monteiro se aproxima, pega no ombro da moça e faz o convite:
- Nieta, vamos dançar?
Antonieta se ajeitou toda, puxou o vestido ajustando-o bem, descruzou os braços levando-os a cintura, inclinando levemente a cabeça, olhou bem para Pedro Monteiro e disparou em voz altiva:
- Deixou o cú em casa?
Pedro, sem pestanejar, sem ungir, nem grunhir balançando a cabeça e seguindo o ritmo do xote ensaiou alguns passos solitários, enquanto deixava o campo de visão da morena da pele de jambo e olhos agatanhados.
Nos sambas da minha terra também marcavam presença as moças que vinha da cidade. Essas usavam salto alto com trazeira do sapato fino e longo feito um punhal. Aquilo era uma arma.
Itim (apelido de Adailton), muito enxerido, convidou uma dessas moças para dançar. A nêga peituda e rabuda, mais enxerida do que Itim, rebolando as cadeiras num vai e vem frenético e desajeitado, pisou tanto no pé do usurado que mal o sanfoneiro deu o último acorde da música, o caboclo largou-se da dançarina faceira e partiu, mancando, em direção à cozinha, aonde se encontrava Loló (a dona da festa).
- D. Gu-Gu-Gulora (ele era meio gago), a senhora tem um remédio para botar nos meus pés que estão ardendo de dor que uma impestada do Assaré pisotiou o coitado todim? Tá doendo deeemais, homi!
Lóló era uma espécie de “Bombril” sertaneja: comerciante, curandeira, enfermeira, conselheira, pau pra toda obra...
- Tenho meu fí, pera que vou buscar.
Loló foi ao quarto, revirou toda medicação que tinha e encontrou uma pomada já antiga e cujo nome estava meio apagado.
- Pronto, meu fí, passe isso aqui que você fica bomzim.
Itim, se vendo de dor, pegou a pomada e passou-lhe nos pés, quando, da sala, se ouvi o grito:
- Aaaaarri muleeessta, que peste é essa que a senhora me deu, D. Gu-gu-gulora? Tá ardendo deeemais, homi!!!!
Loló aperreada com a reação causada pela medicação foi ler o nome da danada da pomada, que estava incompleto, apenas com as iniciais. Uma letra “F” e uma letra “E”.
Loló olhou pra Itim com firmeza e desparou:
- Há meu fí, deixe de froxura, sujeito!!! Essa pomada é uma rilíquia, tá veno, não?
- E c’umé o nome dela, pelo amor de Deus?
- O nome? É...é...é Fe-fe-fe...ah! (faltando-lhe a paciência) É Fe - ó – Fó passe na perna, pronto! E deixe de pergunta difícil. N’um já dixe que era pra isso!
Itim com pé pisado e intoxicado perdeu o resto da noite em um canto de cerca esperando a dor passar.
Muitas são as lembranças, muitas são as histórias, muitos foram os sambas inesquecíveis, muitas foram as alegrias e risadas. A maneira encontrada pelo povo nordestino e em especial, o cearense, para se manter com a mente sã a despeito de todo sofrimento e descaso do estado foi rir, rir muito e rir de si mesmo, de suas qualidades e defeitos suavizados na alegria de viver, amor ao próximo, nas festanças, na devoção sempre presente e em boas gargalhadas.
Júlio Lima
Médico/ Professor




sábado, 9 de junho de 2012

Osteoporose

Participamos de um debate interessante sobre osteoprose no consultório da Graça na Rádio Jornal. http://radiojornal.ne10.uol.com.br/2012/06/06/osteoporose-alimentacao-e-medicamentos/

quarta-feira, 23 de maio de 2012


A PERCEPÇÃO DO BELO

A existência da preocupação com a aparência provavelmente tem sua origem no período paleolítico e coincide com a própria existência humana. Certo é que esse conceito é mutante e obedece ao período histórico que se observa, assim como, a cultura social de determinado povo.
Para artistas com Da Vinci, a beleza residia na simetria. Platão afirmava que a beleza tornava visível o espírito. Para os pensadores medievais, sobe influência do cristianismo, atribuíam-na como uma criação divina.
A subjetivação da beleza tem sua origem na idade moderna. Para Kant, ela se traduz no juízo que exprime no sentimento de prazer.
De outro modo e contrapondo-se ao conceito do belo há ideia e o conceito de fealdade. Enquanto o belo era formoso e harmonioso, o feio era disforme e desfigurado. Mas quem estabelece esses limites? Tornando o que é considerado bonito agradável aos olhos de quem o ver e o feio que provoca náusea e dissabor?
Todos indistintamente podem exercer a característica do belo ou isso é reservado a poucos, aos “diferenciados”? Os olhares sobre esse binômio são uniformes ou a concepção da beleza é resultado de experiências individuais e/ou ideológicas?
Pretensamente vivemos em uma sociedade ocidental democrática aonde o trânsito entre as diversas classes sociais é mais que uma possibilidade, uma realidade. Pergunto-me se esse trânsito também ocorre entre o que angustia e o que excita os sentidos.
Percebo um desconforto, por que não, um confronto entre as diversas classes sociais na identificação do que é “chique” e entendido como luz aos olhos e o que é brega, algo renegado e não aceito, obscuro. Acostumamo-nos com uma realidade em que as novidades sempre surgiam na corte e eram copiadas pelo povão, pejorativamente chamado de plebe, ralé, mundiça. Pois é, atualmente, não saberia colocar se essa assertiva é verdadeira ou falsa. Percebemos um anivelamento das novidades. A estética da periferia faz hoje uma espécie de “pororoca” com o que é produzido nos grandes salões.
No entanto, há uma faixa de nossa população, que não é pequena, que além de não aceitar a liberdade da estética procura a todo custo descredenciar o que a seus olhos parece ousado demais ou distorcido.
Freud colocava o cultivo da beleza como uma das fontes de sofrimento incontornáveis onde havia algo de indomável que poderia volta-se contra nós mesmos. Nesse contexto, pergunto-me quem é realmente livre, aquele ou aquela que vive segundo critérios próprios de beleza ou quem segue padrões pré-determinados? Até onde o messianismo à beleza ou o ceticismo a ela determina o padrão de comportamento, conduta e até de competência dos indivíduos?
Por sermos um povo mestiço de raça, uma verdadeira salada de genes, deveríamos ter essa questão das diferentes faces da estética muito bem mais resolvida, mas isso não é bem assim.
 Parafraseando Cazuza, temos muitos caboclos pretendendo-se ingleses entre nossa gente. Para esses, esse negócio democracia da estética é retórica para boi dormir e que não existe qualidade, nem beleza em nada que não saia de sua tribo.
Uma das maneiras de diferenciar, estratificar e mais ainda deixar bem claro o posicionamento de cada um nessa cadeia social e pirâmide da aparência surgiu no final do século XIX com a revolução industrial na Inglaterra com a criação do fardamento profissional. Cada profissão de acordo com sua posição no escalonamento social tem seus hábitos e tecidos diferenciados instituindo e convencionando como o belo, obviamente o mais bem sucedido. Dessa forma,  esperam que cada um, por gentileza, reconheça seu lugar e assuma seu papel.
Obviamente, muito antes da revolução industrial alguns grupos se destacavam por sua vestimenta própria como, por exemplo, os cavaleiros templários durante as cruzadas, os militares e o próprio clero hierarquizado.
Dessa Maniera, o uso do uniforme profissional segundo seus criadores teria como objetivo, além do charme, organizar as diversas funções, facilitando o reconhecimento e o bom exercício de cada profissão.
No entanto, pergunto-me sinceramente se na cochia dessa intenção não se esconde o interesse de separar os indivíduos numa espécie de casta disfarçada, instituindo a forma com que cada indivíduo deverá ou merecerá, na ótica de quem tem o poder de ditarem as regras, ser respeitado e tratado. O conceito de beleza e organização a serviço da hierarquia entre as classes sociais.
Ora, salvo engano, todos são iguais perante a lei, certo? Então por que choca tanto a algumas pessoas se um advogado soltar e paletó preto ou azul e se vestir com macacão vermelho de um estivador? Louco, inapropriado seriam os melhores adjetivos que lhe atribuiriam.
Perigosas se tornam as relações sociais quando o continente é mais importante do que o conteúdo. Quando a embalagem for mais valorizada do que o produto estará havendo um profundo desvirtuamento do que realmente importa.
Por tanto, o fato de alguém possuir maior escolaridade ou maior conta bancária que outro não deveria jamais ser parâmetro indicativo de diferenciação de beleza, da maneira de se dirigir a alguém ou do tipo e cor de pano que possa se cobrir.
Quem disse que branco é da paz e o preto da morte? E se a paz quiser se revestir de preto? Se o sol encher-se o saco do amarelo? Se a freira ousar num salto Luís XV e a mulher da esquina barbarizar na botina?  Onde está o disforme ou desfigurado dessas situações?
Talvez eu seja um cego social, pois não enxergo a feiura no fato de pessoas não seguirem rótulos.
Salve, salve a anarquia da beleza...

Júlio Lima
Médico/Professor










sexta-feira, 13 de abril de 2012

Êxodo rural às avessas


Para Professora Norma Montalvo de Soler.

            O Brasil é um continente e possui diferentes biomas em seu território. Há mais de meio século éramos deflorados pelos europeus ávidos por riquezas alheias. Impuseram-nos economicamente uma vocação meramente extrativista e monoculturista.

            Sofremos vários ciclos produtores que, em seu período de vigência, traziam alguma prosperidade para a região contemplada. Foi assim com a cana de açúcar no Nordeste, com a borracha na Amazônia, com o ouro nas Minas Gerais e com o café em São Paulo e Sul do país.

            Quando nossas reservas eram dizimadas, por exemplo, o ouro de Minas que ainda hoje é posto à mesa da corte e alta sociedade inglesa por incompetência lusitana, ou nosso produto perdia valor no mercado mundial buscava-se nova cultura em outra região.

            Naquela área ficava o espasmo, o vazio, a decadência e parcas lembranças daqueles que tinham os pés fincados na terra como raízes. Restava ali uma população a mercê da própria sorte.

            Política Social? Do que se trata? Nada que resgatasse os que ficavam para fechar a porteira ou permaneciam dentro dela. Não havia política alguma no Brasil colonial, Império ou República, que não estivesse para o benefício da medíocre classe dominante.

            A região Nordeste, de bioma mais instável, sempre “pagou o pato” pelas confusões no céu, fosse pelo choro das virgens celestiais chovendo muito em pouco tempo, fosse pela escassez de algodão nos ares para converterem-se em água.

            Secas devastadoras, como em 1879 e 1915, traziam miséria, fome, desnutrição e doença a uma população há muito abandonada e esquecida pelo poder central. A bola da vez, nessa época, eram os cafezais nas grandes fazendas do interior de São Paulo.

            Nesse período houve um grande êxodo do Nordeste ao interior de São Paulo e Rio de Janeiro, minguado logo depois pela chegada dos imigrantes europeus mais “robustos, afeiçoados e espertos”.

            Com o início da industrialização esse contingente populacional, expulso dos cafezais busca trabalho nas crescentes cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Esse povo miúdo, feio e miserável aos olhos dos gabolas aristocratas servia agora de lenha aos fornos das olarias recém-surgidas. Passam a povoar as encostas, morros e margens daquelas cidades.

            A esse povo só restava à dignidade pessoal já que a social lhe era furtada e a lembrança do amanhecer e pôr do sol de sua terra seca de onde vingaram a gente, prontos para a labuta e o sofrimento.

            No final da década de 1950 dá-se início, no planalto central brasileiro, a construção da nova capital do país, Brasília. Dessa vez, gente de todos os pontos do país, cearenses (como meu avô Júlio Luís Barbosa), potiguares, pernambucanos, mato-grossenses, capixabas, fluminenses, paroaras, bandeirantes migraram para a terra das plantas baixas em busca do que o Estado se fazia incapaz de lhes oferecerem em sua terra natal – emprego e comida.

            Nas décadas seguintes, de 1960, 1970 e primeira metade da década de 1980, há uma retomada da industrialização, do chamado milagre brasileiro, na verdade propaganda enganosa dos governos militares e que atraiu a população pobre com a promessa de trabalho e renda. Mais uma vez, os nordestinos foram recrutados para os subempregos e indigência inchando, cada vez mais, as grandes capitais do país, primordialmente as do Sudeste havendo uma crescente “favelização” nesses lugares.

            Desse período, trago fortes lembranças, principalmente da seca de 1983. Ano em que perdi parte dos amigos que seguiram empurrados pela força gravitacional da miséria para o sul com suas famílias. Igualmente a eles, milhares de conterrâneos seguiram em paus-de-arara, coletivos clandestinos ou pela Itapemirim rumo aos subúrbios.

            No entanto, muitos foram os teimosos que se negaram a romper o cordão umbilical com sua terra e sua gente. Para esses restava à lida em frentes de serviços, como construções de açudes subsidiados pelo governo, cuja ajuda concreta se limitava a uma tímida feira básica, aonde o feijão já vinha rico em gorgulhos.

            Muitas famílias de homens bravos, íntegros, honestos e acima de tudo crentes, cuja palavra dada tinha força de assinatura em cartório caíram no “conto do vigário” e na ilusão do “sul maravilha”.

            Esses homens e mulheres partiam levando suas “ninhadas” de pequenos, pois poucos eram aqueles que possuíam menos de seis filhos dependentes. Essa gente, arrancada pela miséria e pela fome, troca seus roçados secos por casebres amontoados em morros do sudeste.

            Mal desembarquem em terra estranha com gente esquisita, como diria Renato Russo, partem em busca de um serviço para alimentar o bucho, pois serviço foi só do que a maioria sempre sobreviveu já que sem estudo, emprego para eles não existia. Seus filhos agora brincam entre becos e sobre lamas e lajes. Na ausência dos pais logo aprendem o caminho do asfalto.

            Os anos se sobrepuseram e esses pais já não tinham controle sobre suas crias que vivendo na miséria urbana já não são regidos pelos mesmos preceitos de hombridade e subserviência de seus pais e avós.
            O retirante que chegara adulto na cidade grande nunca se homogeneizara com aquele universo e vive a ilusão de retornar a suas origens. No entanto, essa mesma gente agora submetida às leis e regras urbanas de sobrevivência há muito perdera sua ingenuidade e também já não se homogeneízam com aqueles que não partiram. São  brasileiros híbridos e sem identidade, pois não se veem completamente urbanos; tão pouco como o camponês que fora.

            Nesse meio tempo, seus filhos e os filhos dos filhos nascidos e formados nos morros e favelas e na inércia perversa do governo com ausência de políticas públicas e sociais efetivas, aliados a uma sociedade de consumo excludente e de valores morais e prioridades questionáveis passam a serem presas fáceis aos grandes cartéis e financiadores do tráfico de drogas e, por vezes, atores do jogo de violência de toda sorte.

            No final dos anos 90 e, por toda última década, presenciamos em fim um início de distribuição do avanço econômico vivenciado pelo país, que pela primeira vez em sua história apresenta avanços significativos em todas as regiões.

            Com o favorecimento do cenário mundial, aliado as políticas públicas, ainda deficitárias, mas presentes há uma melhoria substancial na qualidade de vida das cidades de pequeno e médio porte em todos os estados do Nordeste.

            Nas grandes metrópoles observa-se também o aumento da repressão a violência com melhoria do aparato tecnológico dessas cidades e de suas polícias.

            Essa conjuntura, dentre outros fatores, desencadeou na última dezena de anos um êxodo rural às avessas fazendo com que haja nas cidades nordestinas menores e medianas, assim como na zona rural, um aumento da violência, uso de drogas e criminalidade sem precedentes em nossa história.

            Essa violência qualificada formada nos subúrbios paulistanos, cariocas e de outras metrópoles pelos descendentes daqueles que partiram para o sul, em revoada de retorno, em fuga ou em busca de oportunidade, tem gerado o caos, aonde outrora existia uma vida pacata e segura.

            O cidadão interiorano camponês tem sido saqueado em seus bens, sua vergonha e dignidade por “mutantes” emigrados que não conhecem, tão pouco valorizam, alguma coisa de suas raízes. São homens contaminados pela perversidade e barbárie tão comuns nos lugares de onde partiram.

            Temos, sem dúvida, grandes exemplos de superação e vitória de parte daqueles que se foram e de seus formados. Cidadãos que superaram todas as dificuldades e venceram em terra alheia muito mais por méritos pessoais e não pela presença do Estado.

            Será que o preço do progresso passa inevitavelmente pela perda da paz e da segurança, pela frieza burocrática das relações, pela escassez de tempo para projetos e ações pessoais, pelo desequilíbrio emocional de nossos cidadãos?

            De tudo que caracteriza o progresso, talvez a violência sofrida pelo homem comum seja de longe o principal item que nos leva a questionar a real vantagem desse negócio de “desenvolvimento”.

            Até onde vale a pena esse modelo de crescimento e modernização vigente em nosso país? Será possível a tal da sustentabilidade também para nossa região e nosso povo ou isso é retórica de românticos? O ser humano é corrompido com o caminhar dos anos ou trás em si a voracidade do lobo sobre os iguais?
            Devemos apenas assistir da geral as transformações sociais a que estamos sujeitos ou cabe-nos o dever de lutar para participar da engrenagem que faz funcionar essa máquina? Já não está na hora de maturar nossa democracia e deixarmos de lado o discurso que ainda estamos engatinhando ou somos muito jovens nesse processo? 

Como diria Nelson Rodrigues – Aos jovens peço apenas que cresçam e tornem-se adultos (sem perder a alegria, por favor!). 

A todos, peço apenas que descruzem os braços!

Júlio Lima
Médico/ Professor


           

           

           

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O PARADÍGMA HUMANO

              A burrice humana está nas atitudes que invariavelmente chegará ao vazio, à inércia, a depressão, a um fim pouco glamouroso de quem coloca no dinheiro sua razão de viver.
              A cada dia que passa me convenço, cada vez mais, que o grande mau da humanidade é a própria raça humana ou seria, n’um passo à frente do pensamento, o fato do ser humano obrigatoriamente converter-se de criança à adulto.
              Sim, penso que o humano adulto, macho ou fêmea, é a razão da desordem ecológica e moral de nossa raça.
             Se bem observarmos, as crianças, pelo menos àquelas ainda não contaminadas por pais negligentes, permissivos ou perversos, possuem em sua essência a afabilidade, a confiança no próximo, a ausência de maldade, artimanha ou subterfúgios, a sensibilidade na percepção do outro, seja no cuidado ou na solidariedade.
             Junte algumas crianças de mesma faixa etária e deixe-as livres. A amizade brotará fácil como grão em chuva. A disputa de espaço, quando há, se dar por reprodução de atitudes geralmente observadas nos seus cuidadores.
             A criança não aprende somente com palavras; mas principalmente pela observação dos gestos e comportamentos dos adultos que as rodeiam. O pequeno aprende com o exemplo.
             Assistindo o espetáculo da cantora Maria Rita em homenagem a sua mãe Elis, deparamo-nos com a prática sobre a teoria interessante de Belchior, na qual sugere que mesmo a despeito de todos os nossos esforços e estímulos do mundo, reproduzimos o que vemos em nosso lar. O que vemos nossos pais, nossas fôrmas fazerem.
            Então o que dizer de uma família com dois ou mais filhos? Sabidamente as personalidades são diferentes. Sim são diferentes por que cada um captou, sintonizou ou simplesmente foi tocado por uma fatia também diferente de todo o espectro de atitudes, emoções e regras cotidianas apresentadas pelos adultos que mais convivem. Não se pode esquecer, nem tão pouco, desmerecer o papel da escola e dos grupos sociais nesse contexto, porém sua abrangência é principalmente na esfera superficial, agindo de forma limitada sobre a essência.
             De outra forma, ser adulto é na maioria das vezes enfadonho, cansativo, sem muita graça. É cinzento. O homem adulto se torna sem brilho quando a ele é apresentado à noção de dinheiro, do ter e do que isso pode fazer com sua vida.
            É apresentada uma falsa ideia, ao jovem e assumida pelo adulto, que felicidade só poderá ser encontrada e será diretamente proporcional ao montante de moedas e de poder que acumular. É imposto a esse adulto uma perversa corrida pelo acúmulo de bens, pela obrigatoriedade a uma posição social de destaque, ou então, condenado está a ser um mero "cidadão comum".
            Essa ideia doentia disseminada pelos tempos e gerações chega ao inconsciente coletivo gerando uma legião de almas perdidas em busca do nada ou do sei lá o que?
             Nessa busca sem fim, afogam-se em vícios lícitos como o trabalho exagerado, o álcool, o fumo, os ansiolíticos e antidepressivos; enquanto outros, caem na contravenção ou perversão. São os doentes de alma socialmente saudáveis e, por vezes, bem sucedidos.
             Se paga um preço muito caro pela perda da ingenuidade. Homens e mulheres mutilados de sua pureza e inteligência emocional e espiritual, amargam o purgatório da falsa felicidade do glamour. A busca incessante por algo que não possuem, por imaginar que será bom, até possuí-lo e não lhe satisfazer mais, alimenta o adulto de vazio.
             Há poucos dias morria o humorista cearense Chico Anísio e de si fizeram cinzas, as quais foram distribuídas entre dois lugares onde ele teria sido mais feliz. Um deles era sua terra natal que representava sua infância, sua fonte de vida, sua fortaleza, dentre tantos lugares festivos e "chiques" que frequentou e conviveu.
             Acredito plenamente que a maneira de se encontrar alguma lucidez nesse picadeiro que é o mundo, onde não passamos de palhaços tristes, é procurar promover um reencontro com a criança que fomos. Trazer para o cotidiano e para as relações a liberdade do menino, da menina, juntamente com sua espontaneidade e capacidade de dar gargalhadas, chorar quando doer, ser breve em esquecer as quedas e as amarguras, dar pulos em calçada quadriculada, cantarolar sem propósito somente pelo fato de estar vivo, com saúde e possibilidades a explorar, sem preocupação com os olhares e/ou julgamentos alheios.
             Temos que rir mais e percebermos que é inteligente sermos gentis, buscar um equilíbrio entre trabalho e lazer, usar terno e andar descalço, correr no sol e banhar-se na chuva, ser firme em seus propósitos e nunca perverso, ser competitivo, sendo também leal, ter posses e não ser avarento, ter poder e não ser tirano, gostar do azul, mas respeitando quem prefere o vermelho.
             Ao invés de sermos adultos por que não brincamos de sermos adultos?
Júlio Lima
Médico/ Professor