Hoje, recebi um presente da amiga Lane Pordeus e que compartilho agora com vocês!
terça-feira, 27 de agosto de 2013
quinta-feira, 25 de julho de 2013
CRESCIMENTO EM ORTPOPEDIA PEDIÁTRICA
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| Foto: Internet |
1. Estudo Radiológico
Cerca de 50% das crianças tem idade óssea
significativamente diferente de sua idade cronológica.
Em alguns distúrbios isso é
característico e todo o raciocínio, análise, previsão e tomada de decisão devem
ser feitos tomando por base a idade óssea. Ex: doença de Perthes, discrepância
de comprimento dos membros, condrodistrofia.
Existem várias relações úteis entre os eventos
da PUBERDADE x SINAL DE RISSER.
· Sinal de Risser:
0: É para os primeiros 2/3 do disparo do crescimento puberal
e indica que o pico da curva de velocidade de crescimento ainda não foi
atingido.
l: Anuncia o inicio da rampa descendente do pico de
crescimento puberal. A taxa de crescimento da estatura, em posição sentada e em
posição em pé, diminui abruptamente. Pêlos axilares geralmente aparecem nesse
período.
ll: Corresponde a uma idade óssea 14 anos nas mulheres e 16
anos nos homens. Há ainda um risco de 30% de progressão (5° ou +) para uma
curva escoliótica de 30° e um risco de 2% para uma curva de 20°.
lll: Existe ainda uma ano de crescimento. Nesse ponto há um
risco de 12% de erro, curva de 20° ou maior progredir 5° ou +.
lV: Corresponde a 15 anos em mulher e 17 anos em homem. O
risco de progressão de escoliose está acentuadamente reduzido, embora, para o
homem permaneça um risco reduzido.
V: A apófise ilíaca pode fundir-se na idade de 22-23 anos. Em
alguns casos ela nunca se funde.
2. CRESCIMENTO DA COLUNA VERTEBRAL
As vértebras lombossacrais são relativamente
menores ao nascimento do que as torácicas e as cervicais, contudo, durante os
primeiros anos de crescimento elas crescem mais rapidamente.
Os discos respondem por aproximadamente 30% da
estatura do segmento espinhal ao nascimento, na maturidade diminui para 25%.
As porções anterior e posterior das vértebras
não crescem à mesma taxa. Na região torácica, os componentes posteriores
crescem mais rápidamente. O inverso ocorre na região lombar.
A altura da coluna quase triplicará desde o
nascimento até a vida adulta. A coluna adulta média no homem tem 70 cm de
comprimento (12 cm col. Cervical, 28 cm – torácica, 18 cm lombar e 12 cm
sacra). Na mulher mede em média 65 cm.
Ao nascimento, a coluna vertebral tem
aproximadamente 24 cm de comprimento. Apenas
30% da coluna está ossificada e há pouca diferença significativa na morfologia
de uma vértebra a outra.
3. CRESCIMENTO DO MEMBRO INFERIOR
O membro inferior cresce mais que o tronco. O
fêmur e a tíbia combinados crescem cerca de 55 cm em mulher e 63cm em homem, do
nascimento até o final do crescimento.
A relação entre o fêmur e a tíbia é constante
durante todo o crescimento. A diferença no cumprimento entre os 2 ossos é 2cm
ao nascimento e 10cm no final do crescimento. O comprimento da tíbia é 80% do
comprimento do fêmur.
A relação entre tíbia e fíbula também é
constante. O comprimento da fíbula é 98% do comprimento da tíbia, e, não há
diferença significativa.
O fêmur possui aproximadamente 9 cm ao nascimento
e irá aumentar 5x para 45cm ao termino do crescimento.
A tíbia tem comprimento de 7 cm ao nascimento
e irá aumentar 5x para 35 cm.
O crescimento da tíbia e da fíbula é
independente, sendo necessária uma harmonia perfeita. Se crescimento excessivo
da fíbula (ex: acondroplasia) - geno varo. Se ressecção da fíbula durante o
crescimento – tornozelo valgo.
CONTRIBUICÕES DAS
PLACAS DE CRESCIMENTO PARA AUMENTO DO OSSO E DO MEMBRO.
Joelho é responsável por 2/3 do crescimento
(65%) no membro inferior.
Ao nascimento, o pé possui cerca de
7,5 cm de comprimento (40% do seu tamanho final). Com 1 ano de idade nas
mulheres e 1 ano e meio nos homens, o pé já atingiu a metade do seu tamanho
adulto.
No útero, as pontas das falanges distais do pé
são as primeiras a se ossificar, seguidas pelos metatarsos e posteriormente
pelas falanges medianas e proximais.
Ao nascimento estão presentes: centro
de ossificação no calcâneo, talo e cubóide, metatarsos (placa de crescimento do
1º é proximal e do 2º ao 5º é distal) e centros de ossificação de todos os
metatarsos e das falanges.
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OSSO
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PERÍODO DE
OSSIFICAÇÃO
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Cuneiforme lateral
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Entre 4 e 20 meses
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Cuneiforme medial
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Mais ou menos aos 2 anos
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Cuneiforme intermediário
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Mais ou menos aos 3 anos
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Navicular
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Entre 2º e 5º ano de vida
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Apófise do calcâneo
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4-6 anos na mulher e 5-7 no homem
Se funde ao corpo do osso: mulher= 16 anos e homem =
20 anos.
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Maléolo medial
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7 anos na mulher e 8 anos no homem
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Epífise distal da fíbula
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11-12 meses.
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O pé é o primeiro elemento do sistema
musculoesquelético que começa a crescer na puberdade e também a primeira a
parar de crescer. Assim uma artrodese no início da puberdade não terá um
impacto significativo sobre o comprimento do pé.
Contrariamente a crença geral, existe mais
crescimento no tronco ou na estatura em posição sentada durante a puberdade do
que no crescimento subesqueletico ou no crescimento dos membros. A explosão do
crescimento nos MMll ocorre durante o 1º ano da puberdade e, após a idade óssea
de 12,6 anos nas mulheres e 14,6 nos homens, o crescimento dos MMll diminui
rápida/.
Quando se realiza epfisiodese no
inicio da puberdade ou mais tarde, o risco de hipercorreção é relativamente
pequeno. O crescimento dos membros se encontra completo em Resser l.
4. CRESCIMENTO DO MEMBRO SUPERIOR
Ao nascimento o comprimento do MMSS é 20 cm.
Em torno dos 5 anos de idade, alcançavam a metade de seu tamanho final.
A mão apresenta sua aceleração de crescimento
6 meses antes do antebraço e este 6 meses antes do úmero e este ao mesmo tempo
do tronco.
As proporções entre os vários ossos dos
membros superior e inferior são estabelecidos em torno das 5 anos de idade.
Assim, a ulna tem 4/5 do tamanho do úmero, e este representa 70% do comprimento
do fêmur. O estudo desses índices é muito importante em avaliar um retardo de
crescimento durante o curso de uma condrodistrofia (nanismo rizomélico e mesomérico).
Os valores de referência para o
crescimento em crianças normais não são aplicáveis na criança paralítica.
Júlio Lima
Médico Ortopedista/ Professor
segunda-feira, 15 de abril de 2013
A desvalorização da classe médica no Brasil
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| Foto:blog.sinaldeacesso.com.br |
Há algum tempo ando me questionando o que de fato está acontecendo na coxia da política de desvalorização e desqualificação da classe médica? Campanha fortemente abraçada pelos meios de comunicação que quase diariamente nos acorda com fatos denunciativos e condenatórios de visão unilateral, sem crítica das condições, ambientes e fatores que contribuíram para o fato relatado e sem o devido levantamento do acontecido e pronunciamento das partes envolvidas, na maioria das vezes.
Outro dia reproduzi nas mídias sociais uma frase muito bem colocada do amigo Rodrigo Moraes que dizia que o maior sonho dos políticos, governantes e da imprensa é substituir o artigo 196 da Constituição Federal que diz que a Saúde é direito de todos e dever do Estado para a Saúde é direito de todos e dever dos médicos.
Entra ano sai ano, entra mandato sai mandato, entra governante sai governante e nada acontece de novo, para melhor, no sistema e na qualidade de gestão e otimização da saúde oferecida a população e para àqueles que trabalham na ponta do sistema, seja na atenção primária, seja nas portas das emergências.
Sofremos todos: Usuário, médicos, enfermeiras, auxiliares, técnicos. São horas trabalhadas sobe tensão. Vejo com imenso pesar, amigos plantonista que após 25, 30 anos de dedicação de suas vidas submetidos a condições adversas no ambiente de trabalho e antes da tão sonhada aposentadoria, se veem presos a máquinas de hemodiálises, vítimas de câncer, coronariopatias, diabétes, síndromes neurológicas e de estresse psicológico intenso.
A população, por sua vez, carente, abandonada, desinformada, sem a básica noção de cidadania e de direitos, assim como, deveres, sem educação para o uso coerente do capenga sistema de saúde que lhe é oferecido, por vezes, procura assistência em lugares e horários inapropriados e se desespera.
O sistema privado de saúde em atividade em nosso meio tão pouco se destaca ou é melhor que o sistema público na sua relação com o profissional médico e da saúde em geral. Para o usuário, mostra-se apenas com algum diferencial nas tecnologias oferecidas, mas que seu acesso é exaustivamente dificultado. Na prática, vale o jargão popular que o conceitua como “susão plus”.
Observa-se grande desrespeito e inoperância da maioria dos planos e seguros de saúde que há muito se colocara como terceira pessoa na relação médico-paciente. Atualmente, os pensadores deveriam modernizar tal conceito para relação plano-médico-paciente. Isso mesmo! E nessa mesma ordem, pois o médico encontra-se espremido entre os dois.
Há muito tempo que do médico vem sendo subtraída sua autonomia na condução de casos clínicos dos mais simples aos mais complexos.
O neoliberalismo não confirmou a tão proclamada teoria da harmonização do sistema que defendia que haveria melhora cada vez maior dos serviços e da qualidade de vida do cidadão, quanto maior fosse a competitividade entre as empresas. No meio do caminho, o “caldo desunerou” e o que se observa é o canibalismo entre empresas e o “corporafagismo” entre as empresas ( meio corporativo) e seus empregados, chamados no dicionário politicamente correto de colaboradores.
Parte desse esfacelamento social sofrido pela classe médica que se tornou a “Geni” social nos últimos tempos deve-se a nós mesmos, os médicos.
Tivemos uma escola aonde a hierarquia e submissão só se assemelham aos militares que, por “coincidência” no meu entender, é a outra classe mais combatida e desprestigiada pelos governantes e pela imprensa.
No inicio de carreira nos submetemos a trabalhar até para o poder público, no caso de muitas prefeituras do interior, com contratos verbais sem nenhum direito trabalhista ou de insalubridade. Submetido a carga horária abusiva, condições de trabalho inexistentes e tendo suprir a falta do Estado na vida das pessoas e quando sai, leva consigo uma sensação de que já foi tarde.
Não raro, ouvimos colegas lançarem a mão ao peito e verbalizar com ar de orgulho: “Terminei um plantão de 24h e vou para outro de 12h, 24h ou 36h”. Isso faz parte do condicionamento e subserviência psicológica para não contestarmos situações desumanas de trabalho, pois parecer contestador mexe com os brios dos médicos que não podem serem vistos ou percebidos como baderneiros ou como alguém que também possui fraquezas ou limitações.
Por outro lado, os salários estão cada vez mais vergonhosos fazendo com que o médico multiplique a necessidade de horas de trabalho para manter um mínimo padrão de vida exigido pela sociedade. É o famoso aperta de um lado e estica do outro.
E dessa forma, muitos de nós exercemos a profissão exaustos e desestimulados. O paciente exige o exame, o plano não autoriza o internamento, o acompanhante exige pressa, este, menos por preocupação com o moribundo e mais por ficar furioso por ter que esperar que o exame seja processado, o medicamento faça efeito, o médico reexamine o paciente.
O Conselho Federal de Medicina não consegue se fazer ouvir em suas diretrizes de piso salarial, condições e horas de trabalho, redistribuição dos médicos nas cidades e regiões do país. Um exemplo do pouco caso que a maioria dos gestores fazem com que diz o Conselho Federal de Medicina é quando afirma que seus filiados deveriam atender uma média de 36 pacientes em um período de 12 horas de plantão.
Na prática, a maioria dos diretores dos serviços criam uma logística no qual assediam moralmente o profissional médico para atender mais e mais rápido, submetendo o profissional a trabalhar sob pressão, tenso e vulnerável a cometer algum equívoco. Quando este acontece é o número de registro do conselho (CRM) do profissional que ali está. Então chega a imprensa ofegante e salivando por mais um escândalo. Os mesmos diretores que forçaram àquela situação, chamados para se pronunciarem saem ensacados em seus paletós, cara de indignação ou perplexidade a pronunciar: “Vamos apurar os fatos e punir severamente os culpados”.
Seria isso, um possível roteiro de um pastelão mexicano, se não fosse parte da realidade vivenciada por muitos profissionais de saúde, médicos em especial.
Vi um texto em uma rede social escrito por um médico, Dr. Dreg (pseudônimo do autor), na página do facebook “Diário de um plantonista”, o qual transcrevo na íntegra como exemplificação de um desabafo em uma situação vivenciada por muitos.
Vivenciamos tempos de desvirtuamento, desorganização e descaso com a profissão médica, talvez, a mais antiga e tão nobre quanto todas as demais.
Júlio Lima
Médico/Professor
“ O que é ser um bom médico para a população em geral?
Tenho visto que um bom médico é aquele que se permite realizar as suas funções de acordo com o que os seus pacientes ordenam:
- Quero uma receita!
- Pois não!
- Quero tal exame!
- Pois não!
- Quero ser internado!
- Pois não! - Quero um atestado!
- Pois não!
Quando se diz não, você não presta.
Negar uma receita de medicamentos de uso contínuo numa emergência? E os de uso controlados? Que absurdo! A população não tem atendimento! E agora? O médico plantonista tem que arcar com essa falta de estrutura da saúde do Brasil? Ele tem que realizar atividades além das suas funções porque a população está desassistida? Por que os postos de saúde não têm médico? Por que também as pessoas não querem marcar consulta?
O médico plantonista é a porta de entrada do paciente. Ele entra, joga em cima de você toda a revolta. Ele desconta em você que está ali trabalhando e exercendo a sua função.
E você tem que engolir.
Eu não deixo de ser um bom profissional porque nego um favor, porque não tenho tempo em um plantão de 12 horas de conversar muito com um paciente, porque tenho que ser objetivo e direcionar a consulta. Nem porque não reproduzi a receita do parente da funcionária da recepção, tampouco porque pedi para a paciente marcar uma consulta eletiva com uma queixa de queda de cabelos na emergência. Eu não estou ali para dar um jeitinho, nem pra fazer favores. E o não custa nada, custa muito!
Entender a dor de um povo aflito eu entendo. Eu também faço parte desse povo aflito. Mesmo que eu não necessite ir a um pronto-socorro do SUS. Mas eu vivencio todos os dias essa realidade. E pago um preço bem alto para permanecer trabalhando ali. Mas sou julgado o tempo inteiro e esperam uma brechinha para me prejudicar. Por que a saúde virou uma guerra e nessa guerra salve-se quem puder.
Não podemos, sozinhos, solucionar todas as carências do nosso sistema de saúde. Eu não posso atender 100 pessoas em 12 horas porque eu me acho bonzinho. Eu não trabalho numa rede de fast-food.
Estarei fingindo que trato de doenças e as pessoas fingindo que acreditam. Mas quando eu falo sobre a exploração dos médicos escuto o lado dos recalcados que dizem: "vocês devem parar de reclamar e trabalhar mais, dormem a noite inteira nos plantões!".
É tanto absurdo reunido que é melhor abstrair.
Sou plantonista e não realizo terapias familiares, não sou especialista em resolver brigas conjugais, não posso atender todos pela ausência de profissionais, não estou de plantão para trocar receitas, fornecer atestados sem motivos, solicitar exames de rotina, internar pacientes sem indicação e nem para trabalhar além das minhas forças.
Farei o meu melhor, sempre. Mas não sou o salvador da pátria.
Pronto-Socorro não é lugar de consulta de rotina, de trocar receitas, de fazer terapias, de suprir carências e exigir exames.
Pronto-Socorro é lugar de urgência e emergência. Acontecimentos que não podem ser adiados, pelo perigo de morte ou pelo próprio agravo da situação.
Sou a favor de campanhas educativas em rede nacional para esclarecer à população essa grande diferença. Quem sabe assim possamos exercer a nossa profissão com mais dignidade, respeito e maior qualidade nos atendimentos.
“ Dr. Greg, do Diário de um Plantonista.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Redescubra-se
Mais
um ano parte e vai ocupar seu lugar na memória.
Muita ou alguma risada, muito ou algum choro, mas certamente a sensação
de mais uma ponte ultrapassada. Pois é! E o mundo nem acabou.
O
olhar mira o horizonte que nada nos revela a não serem, incertezas.
Hoje,
na estrada, entre carros e canaviais pensava o que desejaria aos meus amigos
queridos e refletindo, lembrei-me de uma canção de Gonzaguinha, imortalizada
por Elis chamada Redescobrir.
Isso
aí, achei o que quero desejar a todos que compartilharam ou compartilham algum
tempo de sua vida comigo, instantes ou jornadas. Desejo que você se REDESCUBRA
em 2013.
Desejo
que a alegria de uma brincadeira de roda lhe reencontre quando a fadiga se
aviste;
Que
suas mãos produzam tanto quanto acariciem;
Que o
amor por alguém seja um crescente e uma constante e que possa ser refletido
em momentos intensos e felizes;
Que
a vida nunca seja morna, que a face do outro seja refletida na sua e que faça
sempre pelo outro o que seria de sua vontade que fizessem consigo;
Que
fareje o perigo e que dele possa desviar com a força do amor, da fé e da oração;
Que
cuide se seu corpo como seu templo e sopro de vida;
Que
beije muito, que sensualize e mantenha-se em dia com seus hormônios e humores;
Que
você cante sem se importar com o tom ou afinação, mas com alegria e que dance
com movimentos largos e livres;
Que
a meditação seja diária e que aprenda a ouvir o que o coração desejar-lhe
falar;
Que
sonhos sejam realizados, projetos concretizados e ambições refeitas;
Que
a consciência de nossa condição humana traga a certeza que devemos cuidar de
nossa casa que é o planeta, assim como de seus habitantes;
Que
tenha a força de uma fênix, superando todas as dificuldades que vierem;
Que enxergue
que essa força de superação está e sempre esteve em nós mesmos;
Que
se lembre diariamente que somos filhos de Deus e que temos responsabilidade
sobre isso;
Que
tenha força suficiente para oferecer a mão a um irmão, amigo ou transeunte;
Que
o tempo lhe seja mãe e lhe traga juventude;
E que
a vida chegue a doer de tanto prazer.
Júlio Lima
Médico/
Professor
Inspirado na
canção redescobrir de Gonzaguinha
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Desenvolvimento para que?
Quase
concomitantemente, vejo duas notícias que me chamaram a atenção nessa semana
que se passou: Mais um massacre de civis inocentes, na maioria crianças
indefesas, nos Estados Unidos da América, por um louco fortemente armado e o
nordestino é o povo mais feliz no Brasil. Se o Nordeste Brasileiro fosse um
país estaria entre os dez mais felizes do mundo.
Esses
fatos podem nos levar a várias reflexões, de toda e qualquer ordem. Como gosto
muito de geopolítica, economia e relações humanas, trilharei esse caminho.
Observamos
uma perseguição doentia dos países pelos indicadores de crescimento econômico,
receio de recessão, medo de cair no “ranking” dos mais bem sucedidos e corrida
frenética, patética e patológica por aumento da produtividade em todos os
setores.
As
cidades (principalmente as do continente americano e asiático) buscam cada vez
mais crescimento e progresso. Vende-nos
a ideia que felicidade é diretamente proporcional à posição que assumimos no
grupo social que convivemos, nossa conta bancária, quantidade de metal que
possuímos, grifes que vestimos, automóveis que usamos, ambientes que
frequentamos.
Imagino,
no entanto, que está tudo errado. O que era para ser, simplesmente não é. Essa
conta matemática não fecha. Venderam e compramos a mentira no que se refere ao
progresso e poder aquisitivo trazer felicidade.
Se
assim fosse, não era para ocorrer suicídios em demasia no Japão e países nórdicos,
bandidos sem causa nos EUA que mata e morre por causa nenhuma, infelicidade e
terror em São Paulo, maior e mais rica metrópole brasileira.
Pergunto-me
que ganho teve o cidadão comum das grandes cidades com seus crescimentos desordenados
e chegada do progresso? No Nordeste, o que diriam os filhos de Fortaleza,
Recife e Salvador, por exemplo.
Questiono-me
mais ainda por que cidades como João Pessoa, Natal e Aracajú estão caminhando
para o mesmo destino? Já que encontrarão em um futuro muito próximo a mesma
dificuldade de mobilidade com trânsito insano lento e violento, favelização dos
morros e encostas, aumento do índice de criminalidade, pedintes e miseráveis em
todos os semáforos, aumento do custo de vida, maior distanciamento entre a
residência e o trabalho ou estudo, menor tempo para dedicar-se aos seus,
desvalorização dos produtos locais e regionais em favor dos importados de menor
qualidade, degradação das relações pessoais que passam a serem impessoais e
burocráticas demais, burocratização crescente dos serviços públicos,
verticalização dos bairros jogando o cidadão comum para as periferias,
destruição, desertificação e violência das regiões centrais.
Na
Europa, a maioria das cidades possui porte mediano e há uma preocupação local
para deter a expansão predatória que certamente desaguaria na perda da
qualidade de vida. Sua viabilidade econômica é garantida na medida em que
descobre sua principal vocação (fomento de pesquisa e tecnologia, gastronomia e
turismo, industrial, etc) e se dedica a ela de forma sustentável.
No
entanto, assistimos atualmente essa mesma Europa enfrentar uma das maiores
crises de sua história. Atribuímos, parte desse sufoco enfrentado pelo velho
continente ao crescimento de países que, juntamente com os Estados Unidos,
impõem uma rotina acelerada de trabalho, priorizando a produção de bens de
consumo duráveis e/ou descartáveis e de serviços com extensa carga horária de
trabalho que leva a degradação do material humano furtando-lhe os melhores e
mais saudáveis anos de sua vida.
Óbvio
que queremos progresso e desenvolvimento, no entanto, elas não podem vir à
custa da saúde e da vida de nosso povo. Estamos fazendo o país crescer e
morrendo a cada dia de solidão, desapego, indiferença com os demais, doenças
laborais e depressão.
O
ritmo de produção nos parques industriais e a competitividade no mundo
corporativo nas empresas dos países com crescimento acelerado têm aumentado
proporcionalmente ao número de doenças e doentes ocupacionais e psicossociais. Há
uma tentativa obscena de mecanização do homem. Nunca o homem foi tão lobo do
homem como nesse nosso tempo.
Estamos
com nossas vidas entregues nas mãos de grandes organizações corporativas,
muitas delas europeias inclusive, que impondo ao mundo o modelo de economia
canibal, principalmente nos países ditos em desenvolvimento, se veem diante e
vítima do monstro por eles criado. Ganha mais quem especula, ou seja, o feitiço
recai sobre o feiticeiro.
No
entanto, não creio que a perda de direitos trabalhistas e arrocho salarial e
fiscal sobre a população europeia seja a solução para o problema que eles
mesmos criaram. Temos que fazer a hora e aproveitarmos a oportunidade para ao
invés de apenas assistirmos a agonia do outro lado do atlântico, combater esse
modelo de política e economia imposto ao mundo, aonde o ser humano é o maior
perdedor. Não só garantir a manutenção dos direitos e desenvolvimento
sustentável para eles, assim como, fazer com que essa conquista seja
compartilhada com os filhos dos demais continentes.
Os
países asiáticos com sua disciplina cega se ergueram como verdadeiros dragões e
agora lançam fogo para todo o planeta fomentando juntamente com os Estados
Unidos, a concepção de grandes metrópoles como símbolo de crescimento e
virilidade econômica.
Nessa
guerra monetária e modelo desenvolvimentista de megacidades e aglomerados
humanos perde o cidadão comum. Este ver sua liberdade subtraída, passa a
residir em celas gradeadas e portões altos ou deixam o chão e trepam-se em
prédios esteticamente bonitos e pouco confortáveis. Verticalizam-se inclusive
as relações, cada vez mais educadas, formais e pouco humanas.
Você
então diria: E o nordestino aonde se encaixa nesse contexto?
O
nordestino é um povo que trás em sua constituição genética, o gen da
resistência. Mesmo com o que foi feito com Recife, salvador e Fortaleza e
querem fazer com outras cidades. Esse povo, mesmo assim, luta e se nega a abrir
mão de sua alegria, de sua força mansa, de sua visão e crença do que é
felicidade e do que necessita para encontrar-se com ela e dela ser companhia.
No
Nordeste, o sol aquece os corações derretendo a frieza, o gelo dos modelos
americanos, europeus e asiáticos de enxergarem e viverem a vida aonde o lucro,
a mais valia e a baixa temperatura das relações humanas impera. Muita
cordialidade e muito distanciamento entre os homens.
O Nordeste brasileiro estampa para o mundo que
nem todo rico é necessariamente normal ou feliz. Que o trabalho de sol á sol
carece de festança à luz da lua.
Nesse
canto brasileiro encontra-se beleza no que parece feio, luz aonde parece
escuridão. Um povo que consegue rir até do próprio sofrimento sem, no entanto,
sucumbir.
A
burocratização das relações humanas e o desvirtuamento de valores com
hipertrofia das questões materiais em detrimento do bem-estar social e humano
cria monstros solitários e homicidas que matam e morrem por nada.
Júlio
Lima
Médico/
Professor
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Rolando Bodrin - Homenagem a Luiz Gonzaga
Hoje, recebi um grande presente do amigo e irmão Fábio Castor. Trata-se de um vídeo do Programa Sr. Brasil com Rolando Bodrim declamando o texto de Aldemar Paiva.
"OI MEU IRMÃO, QUANDO VI ESTE VIDEO, LEMBREI-ME LOGO DAS CACIMBAS, DO EXU, DO CRATO DAS NOSSAS COISAS DO INTERIOR DO NOSSO NORDESTE, DA SÊCA, DA FOME, DA MISERIA DO NOSSO POVO, QUE MESMO SOFRENDO TANTO, SABE SE EXPRESSAR E COMOVER AOS OUVINTES. COM TODAS ESTAS LEMBRANÇAS, EU COMECEI A LEMBRAR DE VOCÊ E ME DEU UMA VONTADE DANADA DE REVE-LO E PRESENCIAR TEU SEMBLANTE AO OUVIR E VER ESTE VIDEO. POIS É MACHO VEIO, NÓS NUM SÓ TEMOS DOENÇA NÃO SENHOR, TEMOS MUITO PEITO PARA TER SAUDADE E SE EMOCIONAR COM UM VIDEO TÃO EXPRESSIVO. UM GRANDE ABRAÇO, CHEIO DE FRATERNIDADE QUE SÓ OS QUE CONHECEM AQUELE PEDAÇO DE CHÃO SABEM SENTIR. ABRACE TODO O STAFF DO PLANTÃO POR MIM - Fabio Castor)
"OI MEU IRMÃO, QUANDO VI ESTE VIDEO, LEMBREI-ME LOGO DAS CACIMBAS, DO EXU, DO CRATO DAS NOSSAS COISAS DO INTERIOR DO NOSSO NORDESTE, DA SÊCA, DA FOME, DA MISERIA DO NOSSO POVO, QUE MESMO SOFRENDO TANTO, SABE SE EXPRESSAR E COMOVER AOS OUVINTES. COM TODAS ESTAS LEMBRANÇAS, EU COMECEI A LEMBRAR DE VOCÊ E ME DEU UMA VONTADE DANADA DE REVE-LO E PRESENCIAR TEU SEMBLANTE AO OUVIR E VER ESTE VIDEO. POIS É MACHO VEIO, NÓS NUM SÓ TEMOS DOENÇA NÃO SENHOR, TEMOS MUITO PEITO PARA TER SAUDADE E SE EMOCIONAR COM UM VIDEO TÃO EXPRESSIVO. UM GRANDE ABRAÇO, CHEIO DE FRATERNIDADE QUE SÓ OS QUE CONHECEM AQUELE PEDAÇO DE CHÃO SABEM SENTIR. ABRACE TODO O STAFF DO PLANTÃO POR MIM - Fabio Castor)
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Café Filosófico: Ética em tempo de mudança - Renato Janine Ribeiro
"Uma forte característica dos nossos tempos é a mudança. Um indivíduo pode até mais de uma vez mudar de país, mudar de profissão, mudar nos relacionamentos amorosos. Os valores que valiam ontem podem não valer amanhã. No curso de uma vida podemos viver de muitas maneiras diferentes. Como fica a ética diante dessa realidade? Como definir o certo e o errado onde tudo é instável? Renato Janine parte do princípio de que a ética não é um conjunto de regras a serem seguidas. A ética nasce do dilema e implica escolhas a cada momento. Renato Janine Ribeiro: Professor titular de Ética e Filosofia Política na USP, tem se dedicado à análise de temas como o caráter teatral da representação política, a idéia de revolução e a cultura política brasileira. Entre suas obras destaca-se A sociedade contra o social: o alto custo da vida pública no Brasil (Prêmio Jabuti, 2001). O programa Café Filosófico é uma produção da TV Cultura em parceria com a CPFL Energia."
Discurso proferido pela Dra. Vera Lopes na cerimonia de concessão de título de cidadão do Recife
O
Dr. Vicente Júlio Barbosa de Lima é Cearense, nascido na terra do padre Cícero,
Juazeiro do Norte. Quarto filho de seis,
de José Ivan Ribeiro de Lima ( Motorista da Companhia de Eletricidade do Ceará
– Coelce) e Maria Lalis Barbosa de Lima (costureira). Possui também uma segunda
família, cujos patriarcas Raimundo Matias dos Santos e Joana Matias de Souza, o acolheu ainda nas fraudas, convivendo com as
duas famílias simultaneamente, as quais são responsáveis por sua formação.
Viveu
sua infância entre sua cidade natal e a fazenda Cacimbas no município de Assaré, aonde
aprendeu suas primeiras letras com tia Lúcia, professora dos agricultores.
No
Juazeiro do Norte, Dr. Júlio iniciou seus estudos no Ginásio Monsenhor Macêdo,
colégio religioso de freiras muito importante em sua formação moral e
religiosa.
Aos
10 anos, mudou-se com toda família para a capital cearense, pois seus pais
buscavam uma melhor educação para os filhos. Em Fortaleza, completou seu 1°
grau em um colégio no bairro que morava, Escola Medalha Milagrosa da Casa de
Nazaré.
No
seu último ano na instituição foi inscrito pela diretora, irmã Luiza, de
surpresa, na Olimpíada Cearense de matemática. Fato este que fora um divisor de
águas em sua vida estudantil, pois logrando o terceiro lugar daquele concurso,
recebera uma bolsa de estudos para todo o segundo grau em um dos maiores
colégios da cidade – Colégio Farias Brito.
Foi
um estudante atuante política e culturalmente, sendo presidente do grêmio
estudantil e integrante do grupo de teatro do colégio.
Dr.
Júlio, como todo bom caririense, nutria uma grande admiração pela Zona da Mata
Nordestina. Após participar da peça “ Morte e Vida Severina” do grande João
Cabral de Melo Neto, essa admiração se convertia em verdadeira paixão.
Veio
fazer seu primeiro vestibular no Recife, atraído pela grandiosidade cultural de
nossa terra e o sangue quente de nossa gente, como costuma dizer.
Foi
aprovado no curso de medicina da antiga FESP, no entanto perdeu o período de
matricula e a vaga na universidade.
No
ano seguinte, não lograra o mesmo êxito na Medicina, iniciando Fisioterapia na
Universidade de Fortaleza e Administração na Universidade Estadual do Ceará.
Fez grande parte do curso de Fisioterapia, chegando a estagiar no Núcleo de
Tratamento e Estimulação Precoce da Universidade Federal do Ceará. Iniciava ali
mais uma grande paixão: A reabilitação de pessoas deficientes e com
comprometimentos neuromotores.
No
entanto, Dr. Júlio tinha na Medicina sua grande paixão e vocação. Mais uma vez
deixa sua terra e vai fazer o curso de Medicina na cidade de Campina Grande, na
Paraíba. Também com grande atuação política. Foi presidente do Diretório
Acadêmico e membro do CINAEM ( Comissão Nacional Interestadual de Avaliação do
Ensino Médico)
Durante
seu curso, Dr. Júlio atraído pelo Recife, inicia uma caminhada semanal para
realizar estágios no Hospital da Restauração e Hospital Oswaldo Cruz. Nesse
período, a paixão pelo Recife sedimentara em amor por nossa cidade.
Após
a conclusão da graduação de Medicina, Dr. Júlio segue mais uma vez para o
Cariri cearense para segundo ele, quitar um pouco da dívida de gratidão que
possui por sua terra e sua gente. Trabalha por um ano e meio na cidade de
Santana do Cariri na chapada do Araripe, de onde recebeu homenagem da câmara
dos vereadores daquela cidade por sua atuação junto às crianças e aos idosos no
Programa de Saúde da Família do distrito de Brejo Grande.
Seu
retorno ao recife definitivamente, como gosta de afirmar, foi para realização
da Residência Médica em Traumatologia e Ortopedia no Hospital Getúlio Vargas,
preterindo cidades como São Paulo e Brasília aonde também havia sido aprovado.
No
Hospital Getúlio Vargas ainda fizera mais uma Residência Médica em Ortopedia
Pediátrica.
Atualmente,
Dr. Júlio é professor da disciplina de Fisiopatologia em Traumatologia/
Ortopedia e Medicina desportiva da UNINASSAU, exerceu no último ano, acessória
e gestão em sua área junto a Secretaria de Saúde da cidade de João Pessoa. Faz parte do corpo clínico da
AACD ( associação de Assistência à Criança Deficiente), Real Hospital
Português, Hospital de Fraturas e Hospital Belarmino Correia em Goiana.
- Por seu
trabalho junto aos pacientes da AACD, aonde atua na clínica de reabilitação de
amputados exercendo com muito amor, humanismo, dedicação e competência;
- Pelos inúmeros relatos dos pacientes que
chegam aos meus ouvidos sobre a forma com a qual foram acolhidos, respeitados e
valorizados por esse profissional;
- Pela
resolubilidade que dar aos casos e situações enfrentadas;
- Por minha,
já conhecida e constante luta, pelos direitos desses cidadãos, tão sofridos e ,
por vezes, esquecidos pelo próprio Estado;
Fui conhecer
mais de perto esse homem, esse médico, esse cidadão que abraçou minha causa,
como sua causa; nossa cidade, como sua cidade e nossa gente, como sua gente.
Nada mais justo do que demonstrar nosso
reconhecimento, nossa gratidão e nossa admiração por esse cidadão,
oficializando mais uma adoção em sua vida. Adoção de um filho que tantos frutos
tem nos dado concedendo-lhe o título de cidadão da Cidade do Recifeterça-feira, 6 de novembro de 2012
Denúncia:
Julio
Preciso publicar um texto para o teu blog e vou colocar nas redes sociais referente a uma pratica do Banco Itau que venho por 2 vezes presenciando.
Allan Monteiro Bacurau
ITAU
FEITO PARA VC??
Pois esta acontecendo a seguinte situação no Banco Itau agencia 9249 da Estrada de Belém – RECIFE PE, onde temos uma conta pessoa jurídica. Pois dias em que a agencia recebe um fluxo de numero de clientes alto, a mesma deixa seus clientes do lado de fora da agencia, no sol, sem a menor condições e isso vale para todo mundo, pessoa física, pessoa jurídica e idosos principalmente, a medida que sai 10 clientes que estão dentro da agencia entra mais 10 que estavam fora e as vezes 15 e assim vai....não existe isso em lugar no mundo se a agencia não comporta o numero de clientes, que faça uma reforma para se adequar ao perfil, mais não pode deixar o seu cliente do lado de fora aguardando outros clientes saírem. O problema é que o Itau vem reduzindo a sua grade de funcionários para garantir mais lucros e lucros a cada ano e não investe em pessoal. Ficam 2 ou 3 funcionários quando existe nos caixas para atender centenas de clientes, no mínimo leva-se 1 hora ou mais para atendimento nos caixa em dias de grande fluxo. Por este motivo a agencia fica lotada, fila e mais fila de clientes, muitas vezes impacientes devido a demora do atendimento que não fica menos que 1 hora aguardando atendimento. E gera todo um caos e reflete nos outros setores, comercial, Gerente Financeiro e por ai vai. Estamos com uma reclamação junto ao PROCON, FEBRABAN, PROCURADORIA DA PREFEITURA DO RECIFE.
ESTAREMOS ANUNCIANDO E DENUNCIANDO ESTA PRATICA ABUSIVA EM BLOGS , REDES SOCIAIS, COMUNIDADES EMPRESARIAS E JORNAIS LOCAIS. Para que o idiota que teve esta brilhante ideia possa se responsabilizar por esta atitude impensada.
Allan Monteiro Bacurau
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Texto da cerimônia de recebimento do titulo de cidadão do Recife
“Sou de uma terra que o povo padece,
mas não esmorece e procura vencer”. Dizem os versos do poeta Patativa do
Assaré.
Sou da região do Cariri Cearense, do
lado de lá da Chapada do Araripe, Sul do Ceará. Devido à proximidade com o
Pernambuco, nossa região sempre sofreu uma forte influência acadêmica, social,
cultural e até linguística do lado de cá da Chapada.
Lembro-me ainda criança, ouvir
histórias do Recife contadas por àqueles que vinham aqui estudar. Boa Vista,
Rua do Sol, Rua da Aurora, Rua do Príncipe eram nomes que, desde muito cedo,
povoavam o meu imaginário. Achava Incrível, os lugares serem nominados dessa
forma. No Juazeiro do Norte, todas as ruas possuem nomes de Santos: Padre
Cícero, São José, Santa Rosa, Santa
Luzia, Todos os Santos e por aí vai.
Como todos daquele lugar, sou de uma
família muito religiosa, estudava em colégio de freiras e morava numa cidade
que recebia milhares de romeiros anualmente.
Pessoas de todos os recantos do Nordeste que ao nos visitar, nos
presenteavam com suas oralidades, maneiras de serem e agirem.
O encontro com toda essa gente, que
iam frequentemente à terra do meu Padim, vindas principalmente da Paraíba, Pernambuco e
Alagoas, acabava trazendo uma maior identidade nossa com esse povo; até mesmo,
maior que o restante do Ceará central e do Norte, onde fica a capital.
Muito jovem, fomos morar em Fortaleza
levados por meus pais. Pessoas com pouco estudo, no entanto, com vista larga.
Um casal que abriu mão de alguma estabilidade que tinha, para oferecer
possibilidades aos seus filhos. Pais extremamente amorosos, porém bastante
disciplinadores.
Costumo dizer que a criança, o
jovem, na educação doméstica até aprende com os ensinamentos verbais, mas
aprendem principalmente com os exemplos de quem representam autoridade.
Como hoje estou sendo adotado por
essa magnífica cidade, também fui, na infância, por uma admirável família que
juntamente com meus pais conduziram minha formação humanista, ética e moral.
Nessas famílias, aprendemos sobre
tudo, a respeitar e valorizar o Ser Humano; O valor de ser verdadeiro, ser honesto
consigo mesmo e com o outro.
Aprendemos que rir mais, trás felicidade e
percebermos que é inteligente sermos gentis, buscar um equilíbrio entre o trabalho
e o lazer, poder usar terno e andar descalço, correr no sol e banhar-se na
chuva,
Ser
firme em seus propósitos, mas nunca perverso. Ser competitivo, sendo também leal. Buscar posses sem ser avarento. Exercer o
poder e não ser tirano. Gostar do azul, mas respeitando quem prefere o
vermelho;
Aprendemos
ainda, que nunca se chega a um objetivo sozinho e que devemos diuturnamente
reconhecer e agradecer àqueles nos ajudaram e ajudam.
Aprendi que não há equilíbrio sem uma forte
ligação com o ser divino, com a fé, pois ela é a matéria prima para o grande
enfrentamento desse fantástico espetáculo que é a vida.
Para
nós, Cearenses do cariri, Fortaleza era uma terra longínqua. Só quem subia a
ladeira do Juazeiro à terra do sol eram aqueles, como foi meu caso, cujos pais
trabalhavam em empresas estatais e não lhes restava outra solução.
Recordo-me
da boa inveja que sentia quando encontrava minha prima, aqui presente Val e
ouvia atenciosamente seus relatos sobre a efervescência da cena cultural da
Zona da Mata pernambucana. Tudo aqui era muito bom em seu discurso.
Recife
já era nos anos noventa, o segundo polo médico do País e, também por isso, para
mim era um sonho, um objetivo a ser conquistado.
Ainda
em Fortaleza, estive presente ativamente dos movimentos estudantis e culturais
da cidade. No último ano do ensino médio, antigo segundo grau, participei da
montagem da peça “Morte e vida Severina”
e assisti, em praça pública, a um espetáculo que reunia Antonio Nóbrega
e Alceu Valença, no qual mostravam várias vertentes da cultura Pernambucana.
Essa superdosagem de pernambucanidade, aliada a excelência da Medicina aqui
praticada, foram decisivas para vir ao Recife fazer meu primeiro vestibular.
Era aqui no Recife que eu queria morar.
Não
cheguei pelo mangue como o Severino de João Cabral, mas visualizei a beleza do
Rio Capibaribe e me apaixonei.
Quem
conhece Recife e de sua fonte urbana bebe, jamais a esquece, jamais consegue
deixá-la por completo. Como diz o poeta Nilo Pereira – “Essa cidade é mágica,
meio bruxa, enfeitiça, quebranta, tira as forças”.
Anos
depois, viria estudar e morar definitivamente nesta cidade tão bela, tão rica
de recursos humanos e tão cosmopolita.
Aqui
fiz muitos amigos, vivi grandes paixões e também aqui plantei minha semente
profissional.
Fiz
residência médica no Hospital Getúlio Vargas, lugar pelo qual cultivo grande
apreço e ainda sinto como minha casa, pois lá ainda se encontram grandes
mestres.
Viver
em Recife, trabalhar nos lugares que trabalho, conviver com as pessoas com que
convivo faz de mim um homem feliz e realizado.
Agradeço
a Deus e a Maria Santíssima por ter me dado às famílias e os amigos que me
deram; e por terem colocado as pessoas certas em minha trajetória.
Agradeço
ao Real Hospital português (pela credibilidade em meu trabalho), A universidade
Maurício de Nassau (por permitir-me que faça parte de sua história), a AACD (
por conceder que eu realize um trabalho no qual tanto acredito e amo tanto) e
ao Hospital de Fraturas ( Por ter sido o primeiro a acreditar em mim e me
estender a mão após a residência).
Agradeço
ao povo do Recife que só o bem tem me feito e alegria tem me dado.
Agradeço
a Vereadora Dra. Vera Lopes pela sensibilidade, amizade e pelo reconhecimento
ao amor e sacerdócio com que exerço minha profissão.
Agradeço
aos meus pacientes, aos quais dedico meu ofício, meu amor e meu respeito
profundo.
E,
finalmente, obrigado a Cidade do recife por me acolher como filho e por tanto
júbilo ter me dado.
Júlio Lima
Recife 25/10/12
domingo, 7 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
O protótipo do puxa-saco
O
protótipo do puxa-saco
Estamos mais uma vez
nos aproximando de uma eleição em nosso país. Nesses tempos de euforia civil é
bastante comum vermos acompanhando os candidatos ao pleito maior e aos pretendentes
às cadeiras das câmaras legislativas uma figura emblemática, enigmática, quase
mística, o puxa-saco.
Acredita-se que o termo puxa-saco teve sua origem ainda
no Brasil colônia. Tratava-se de sujeitos que sempre procuravam carregar os
sacos de pano com os pertences de militares do exército, recém-chegados no
lugar, de olho na gorjeta que poderiam receber.
Pois bem, a pesar de estarem mais à vista nessa época do
ano de eleição, indivíduos dessa espécie podem ser encontrados e reconhecidos
em todos os lugares onde a hierarquia esteja presente.
Traçar um perfil desses sujeitos não é tarefa fácil, pois
possuem várias nuances e diferentes representações. Observam-se desde os sujeitos folclóricos subservientes por admiração e amor até àqueles que nutrem raiva e rancor
sobre quem bajulam.
Existem
os mais empolgados, que não se envergonham, mostram-se em qualquer lugar e
ainda levantam bandeira de suas condutas. Alguns gostariam até lançar uma
parada como o dia nacional do orgulho dos puxa-sacos.
Outros por sua vez, absurdamente perniciosos, são enrustidos,
dissimulados, mais camuflados que pebas em buraco e mudam de máscaras a cada
vento ou evento, a cada interesse.
Não podemos, contudo, acreditar que a maioria das
relações onde o quociente de poder esteja presente siga esse modelo. Claro que
há em muitas relações equilíbrio da ligação entre o comandante e o comandado
que, por vezes, atua como amigo e
conselheiro, no entanto, sem abrir mão de suas verdades e convicções e sem
fazer disso uma moeda de troca.
A interseção entre todos os lambe-botas de carteirinha
parece-me ser a pura falta de pensamento e vontade próprios com uma
permissividade canina, acomodando-se falsamente a qualquer situação desde que
se tire dela algum proveito momentâneo ou tardio.
O sujeito bajulador é altamente competitivo. Consome
muita massa cinzenta nas incontáveis tentativas de saber o que poderia agradar
o seu chefe. Se não consegue fazê-lo, ou pior, se alguém o faz mais rápido, ele
chega a angustiar-se, consumir-se, sofrer intensamente. Não por que não agradou
seu superior, mas por que alguém ousou, mesmo não intencionalmente, fazer algo
que ele tanto desejava, antecipadamente a si.
O baba-ovo é antes de tudo um sujeito com parca autoestima.
Àquele explicitamente lisonjeador talvez o seja por excessiva admiração ou por acreditar
ser incapaz de realizar as tarefas que lhe são atribuídas e com medo de perder
seu posto lança-se sem pudor aos pés de quem exerce ou representa poder.
De outra forma, o dissimulado, o mascarado é um elemento
isento de valores morais. Absurdamente ambicioso e que, percebendo-se incompetente,
não exita em gastar seus dias procurando agradar, das mais simples às mais
sórdidas formas, aquele que possua algum atrativo para a conquista de seus
objetivos.
Na verdade há uma proporcionalidade entre o número de
lacaios e de chefes bossais que, sem possuírem luz própria, necessitam desse
tipo de holofotes. Há um verdadeiro comensalismo entre esses seres anômalos.
Existe uma ligação tão intensa de antropofagia energética que ambos criam um
campo magnético que os mantém sempre próximo um do outro. Não há subserviente
sem tirano.
O capacho não mede esforços para agradar seu amo: Mente,
falseia, faz intrigas, apropria-se de ideias alheias, dar gargalhadas das
piadas xenofóbicas, racistas e homofóbicas. Apoia os discursos e pensamentos sem
nexos e, se duvidar, ainda dar uma abanadinha no rabo. Tudo pelo pífio ofício
de agradar seu superior em troca de ambições vis.
O puxa-saco orgulha-se de ser apolítico, pois apoia quem
possa lhe trazer alguma vantagem.
Não
tosse por nenhum time em especial, nem possui religião, não possui uma cor
preferida, nem estilo musical próprio.
É um animal, com perdão aos animais sem querer
ofendê-los, apaixonado pelo dinheiro, sem alma, sem pudor, sem fé. Assemelham-se
às mais peçonhentas serpentes, pois leva a vida rastejando e destilando veneno.
Quando
se encontram numa situação conflituosa, como quando diante de dois
hierarquicamente superiores e discordantes, o cara lisa apenas balança a cabeça
com sinal de concordância e em hipótese nenhuma emite seu parecer.
Esse
tumor social na grande maioria das vezes é absurdamente perverso e debochado
sobre seus subordinados. Possui mórbido prazer diante da dificuldade de um
colega e é incapaz de ajudar alguém que não tenha nada a oferecê-lo.
Um
tipo de xeleléu bastante frequente é o puxa-saco de si mesmo. Esse é terrível,
pois acredita piamente que é a última freira virgem do planeta. Acredita-se o
fodão. Vive gabando-se de seus feitos ou malfeitos; do quanto, à sua vista
curta, é garboso, inteligente, isso e àquilo.
Doutra
maneira, geralmente é solitário, pois seu narcisismo lhe impede de enxergar qualquer
pessoa além de si mesmo. Como afirmou Plutarco, filósofo grego, quem gosta de
bajulação está perdidamente enamorado de si.
O
que nos deixa bastante tristes é que esses indivíduos são altamente viris socialmente,
ocupam postos estratégicos e interferem na vida de muitos. Com seu ardil e
veneno destroem reputações, amores, sonhos, lares, carreiras e amizades.
Assim
como cada veneno há um antídoto, para cada puxa-saco há alguém com luz própria
e fortaleza de espírito.
Acredito
que uma forma eficaz de defender-se desse tipo de verme é ,como aprendi desde
cedo com minha mãe, rezar um credo nas costas do sujeito que queira engoli-lo e
desejar-lhe o bem”.
Pois
sim, a oração e o bem são as vacinas contra os miseráveis de espírito. Por
isso, “ore e vigie”, pois sempre valerá a pena ser coerente com seus
princípios.
A
verdade expressa no verbo e no olhar foi antes construída na alma, por isso,
ouros, pratas, louros e títulos, a pesar de serem muito bons, são antes de
qualquer coisa, vírgulas, e devem ser conquistados com lisura e trabalho.
Escreva
sua história. Honre sua biografia.
Júlio
Lima
Médico/professor
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