terça-feira, 22 de setembro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Em que crise vivemos?
![]() |
| Imagem extraída da internet |
Isso mesmo. Qual a saída? Alguém aí sabe? Dizem que no
Brasil existem 240 milhões de técnicos de futebol. Quantos são os sabidos em
economia? Em gestão pública? Em estratégia de negócios? Em fórmulas mágicas
para enfretamento de crises? Em lições de casa? Quantos são os que ainda não
perderam o brio, a vergonha, a moral e a capacidade de se indignar diante do
absurdo, do mal feito e do inescrupuloso e doentio jeitinho brasileiro?
Acostumamo-nos sempre reclamar em atacado e sermos
tolerantes, coniventes, ou até, atores quando a imoralidade é no varejo. Levar vantagem é a ordem do dia, é a meta a
ser seguida. Comprar um bem, contratar um serviço, fazer uma consulta em
qualquer área do conhecimento tornou-se uma jogada de dados, aonde o sujeito
tem apenas uma chance, dentre muitos procurados, de encontrar honestidade.
Muitas são as possibilidades de que se encontre alguém que deseja fazer do
outro, a presa do dia, a carne fresca, a refeição farta e fácil, seu meio de
vida.
Por onde andarás Dona Gentileza? O Sr. Respeito? A Sra.
Educação doméstica? Dona gratidão? Será que de tanto desgosto morreram? Ouvi
até dizer que com a tristeza e desgosto que lhes tomaram, encontram-se
internados na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e em estado muito grave.
Filhos desrespeitando pais e mães por reflexo do desrespeito
que recebem com suas ausências e desamor ou “amor” material adquirido na grife
mais próxima. Jovens se agredindo mutuamente, nóiados de tanta lombra,
invisíveis aos olhos do Estado, vorazes e perversos contra quem não pertence a
sua tribo.
Adultos
infelizes com a profissão, com o (a) parceiro (a), com o salário, com o
ambiente de trabalho, com a insegurança nas ruas, em sua casa. Escravos em sua
grande maioria, escravos dos desejos não consumados, escravos dos poderes não
detidos, dos objetivos não alcançados, dos bens não acumulados, dos olhares dos
demais, em fim, escravos de si mesmos, mas principalmente, escravos dos bossais
que n’uma jogada de ficha, n’um lance de cartas no mercado financeiro causam
avalanche de terror, angústia, ansiedade, depressão, frustração em gotas
diárias em sua vida. Sua vida? Sua? A quem você acha que pertencem seus
melhores anos? Quem controla o humor que você estará quando encontrar os seus
ou os amigos nos três períodos do dia? Por acaso, já paraste para tomar um café
pensando nisso? Quem realmente comanda sua valiosa vida? De qual (quais)
senhores é escravo?
E
os mais velhos? O que dizer dos idosos? A Medicina e as Ciências Humanas e
Sociais com suas capacidades para contornarem ou até mascararem as sequelas e o
que lhes causaram, causam tanta dor física, mental e espiritual tentam fazê-los
acreditar que estão na “melhor idade”. Cá para nós, seria cômico se não fosse
trágico vender esse peixe, essa ideia maluca de “melhor idade”, penso eu. Em
que parte, no país que vivemos, é bom ser idoso? (ás vezes custa-me muito ser
politicamente correto, traz-me uma sensação terrível de hipocrisia, mesmo sendo
grosseiro sem intencioná-lo ser). O desrespeito ao cidadão a partir dos sessenta
janeiros é algo institucionalizado nesse país. O governo é seu principal algoz que
o trata como estorvo. Adjetivos não colocam pão na mesa, nem trás dignidade a
quem deu sua mão de obra e força para construção desse país tão maltratado.
Talvez amenize a dor, talvez!
Não
sei se Dona Gentileza, Sr. Respeito, Sra. Educação doméstica, Dona gratidão deixarão
a UTI e sobreviverão aos dias atuais, às doses diárias nas nossas veias, com
direito a acesso central, de desamor, individualismo, desonestidade e cegueira
generalizada para enxergar o outro como continuação de si.
De
quem depende mudar um destino? Que forças ou estímulos são necessários? De
certo mesmo é que estamos vivendo, mais do que um período de crise financeira
no país, em uma sociedade doente com sérios danos aos preceitos da boa
convivência. Nessa feira de horrores há escassez de valores dos mais simples
aos mais complexos. Se pararmos um instante, se quer, diante do espelho e nos
perguntarmos por que estamos apanhando tanto, enquanto indivíduo e enquanto
sociedade, saberemos certamente responder. Rever escolhas, mudar de atitude,
trilhar seu próprio caminho requer mais que vontade, requer coragem, muita
coragem, além de amor próprio e ao próximo.
Júlio Lima
Médico/ Professor
quinta-feira, 23 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Deficiente? Quem?
Vivemos em um
mundo de superlativos onde a grande e avassaladora maioria de todas as
estruturas são pensadas e preparadas para os indivíduos “hígidos”. Os índios fazem a seleção, não natural
logo no nascimento, destruindo todo e qualquer indivíduo diferente. No Hawaí,
bastava o recém- nato apresentar um nevus
para ser descartado como impuro, serviria de lanche aos tubarões (Fábio Castor).
Modernamente, o darwinismo encontra respaldo no mundo gerido pelo capital e,
dessa forma, é estabelecido o modelo físico e psicológico dos que deterão o
provimento de cidadão e cidadã. Essa hierarquização se dá a partir do que o
modelo liberal entende como adequado e apto para viver sob sua égide, ou seja,
mão de obra produtiva com força motriz ligada no botão da capacidade máxima e os
que estarão à margem de sua ordem social.
Segue-se, nesse contexto, a
construção de um verdadeiro mosaico onde se classifica ou estigmatiza o
indivíduo por alguma característica física ou mental compreendida como
“inadequada” e “ não hígida”. O indivíduo agora alheio de suas características
outras recebe uma espécie de marca, ferro, carimbo, etiqueta. Como a sociedade
é dinâmica e se diz evoluir, dinâmica também é a maneira como os “hígidos”
balizam os deficientes. Cego passa a deficiente visual, aleijado agora é
portador de necessidades especiais e, por aí vai.
A mim causa náusea a nossa
hipocrisia social e só desnuda aos meus olhos que não há interesse, além do escambo
etimológico, em provocar mudanças reais, práticas e profundas no centro da
questão no que concerne, além de direitos subsistenciais, direitos de
autogestão e participação de processos e decisões. Há apenas uma maquiagenzinha
para que não possamos nos incomodar com que vemos ou ouvimos das ‘limitações”
alheias.
A hipocrisia humana é, sem sombra de
dúvidas, o maior aleijo da humanidade. Lidamos com os “não hígidos” ou
deficientes da mesma forma como lidamos com a morte. Negando-os. As valas
comunitárias de cadáveres na idade média foram substituídas, primeiro por
catacumbas, depois jazigos em mármore e oponentes, porém em cercado distante
dos centros e, por fim, lápides em belos jardins floridos. Tudo como forma de
negar a existência da morte. Assim, o perneta se torna portador de necessidades
especiais.
Não consigo visualizar políticas
governamentais consistentes de atenção a essa fatia da população. No Brasil,
historicamente os deficientes são assuntos de igrejas, associações e entidades
privadas filantrópicas com o governo atuando aí como terceira pessoa, alheio e
com envolvimento totalmente superficial.
Diariamente questiono-me quem
realmente é aleijado, deficiente ou portador de necessidades especiais?
O chefe tirano de uma repartição é o
que?
O capacho lambe-botas que se anula
como pessoa é o que?
Quem deseja sempre o impossível ou o
que a outro pertence, como o denomino?
Quem não consegue enxergar a dor, a
fome, à miséria, paisagem da janela de seu cotidiano, o que é?
Não é cego quem não enxerga um palmo
além do umbigo?
O sujeito indisponível por excelência, sem tempo, nem interesse para
ouvir um amigo, um conhecido ou um transeunte que o chama não é surdo?
Um verme que silencia diante de uma injustiça ou se beneficia dela. O
porco que não fala a verdade e usa a mentira para iludir, enganar, ludibriar
alguém, seja por trocados, facilidades ou posição social não é um mudo?
O parasita que sem menor pudor quer viver à custa de outra pessoa,
sugando-lhe energia e o seu melhor não é um paralítico?
O indivíduo que amanhece amargo e destila seu azedume e não apresenta a
capacidade de emitir uma palavra gentil, otimista e doce a alguém, não é um
diabético descompensado?
Quem por inveja, maldade ou incompetência elimina ou impede o crescimento
de alguém não é um anão?
Quem freqüenta a igreja, debulha terço, esquenta bíblia em suvaco, vive
em semáforos na campanha do quilo ou nos sons dos tambores de origem africanas,
mas se comporta como o sete pele em seu convívio social não é um miserável e
aleijado da alma?
Então, senhoras e senhores quem realmente são os deficientes? Os
aleijados? Os portadores de necessidades mais do que especiais? São os que não
andam, não falam, não ouvem, os mutilados de um membro ou órgão por ausência do
Estado, contingência da vida ou situações externas e alheias às suas vontades
ou àqueles citados anteriormente que apresentam deformidades na alma e no
caráter por opção ou dolo?
Sonho com o dia em que nós, de maneira honesta e imparcial, encararemos o
“portador de necessidades especiais” por causas externas não como incapazes,
mas como alguém que pode ser o que quiser dentro de suas habilidades. Quando
será que teremos governos sérios que não insistirão em dificultar o trabalho
dos que realmente agem?
A esperança se agiganta com a teimosia de todos que praticam o bem e no
respeito ao próximo, pois tenho infinita certeza que os maus e mentirosos,
verdadeiros aleijados, tropeçarão sempre em suas maldades e mentiras e que
aqueles que visivelmente são deficientes por intempéries serão vistos não com
os olhos da desconfiança e do desdém, mas
possam ter oportunidades, autonomia e respeito nesse mundo conservador.
Júlio Lima
Médico/Professor
segunda-feira, 20 de abril de 2015
terça-feira, 7 de abril de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
EU E DEUS

Amar a Deus
É ser fiel como ele o é
É ter afeição e cuidado pelo mundo
É coragem para muitos nãos
É agir mais do que esperar
É agradecer mais do que aperrear
Acreditar em Deus
É estado de vigília
É fazer por onde
É vencer-se
É ir além
É persistir sempre
Seguir a Deus
É enxergar além de um palmo
É viver com ética em tempo integral
É arregaçar as mangas para labuta
É ter o pé no chão e a alma leve
Ter Deus
É compartilhar conhecimento
É ter a justiça como norte
É ter o coração firme e forte
É oferecer o verbo, o ombro, o abraço
É enxergar-se num irmão
Estar com Deus
É ter paz
Júlio Lima
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Ôôôôô Mundeeeeeeeeeeza!
Ôôôôô Mundeeeeeeeeeeza! Mundeeeeeeeeeeeeza....
Essa toada está presente no imaginário de várias gerações. Um grito carregado de paixão e emoção que mostrava a força de um grande amor.
Mas,quem era Mundeza?
Raimundo Matias dos Santos foi um passarinho tal qual o João de barro que de galho em galho, folha em folha, gentileza em gentileza construiu uma das biografias mais ricas e belas que das bandas de cá do pé da chapada às bandas de lá dos Inhamuns, já se ouviu falar.
Gentileza é o adjetivo, agora verbo pra mim, que melhor vestia a personalidade de Mundeza (painho).
Existem pessoas que não precisam debulhar um terço por dia, nem andar com o livro sagrado em baixo do braço. Nós o reconhecemos como Cristão, na essência maior do termo, em seus atos, na sua postura diante da vida e nas relações que estabelece com as pessoas.
Raimundo Matias foi um homem que teve sabedoria para surfar nas ondas da vida, nunca sucumbindo a nenhuma delas. De postura agregadora, sempre se cercou de muita gente em sua casa. Foi um provedor até seu último suspiro.
O corpo, ultrajado pelo tempo, não acompanhou a vitalidade e juventude de sua mente. Sua disciplina o trouxe aos 101 janeiros, pois sempre teve horário para tudo e grande organização em suas tarefas.
Sua grande vitalidade e dinamismo, características que o acompanhavam, só puderam fazerem- se tão presentes por que ao seu lado tinha uma verdadeira fortaleza em forma de mulher.
Joaninha foi quem preparou o palco para que Mundeza brilhasse. Os nãos couberam - se a ela, mesmo estes sendo carregados de carinho, por vezes fôra incompreendida nessa tarefa. Foi a força dessa mulher que possibilitou que seu marido tornasse uma unanimidade. Isso era tão compreendido por ele que o próprio ria - se e nos fazia rir com as pendengas do casal.
A esse homem devoto uma imensa admiração e gratidão. Seu sangue não corre em minhas veias, nelas correm um líquido constituído de um amor profundo que me uniu a ele e a Joaninha (mainha), assim como aos seus, por toda a eternidade.
Quantas histórias contadas, quantas festas promovidas, quanta alegria disponibilizada a todos. Só um coração inundado de amor permite tal democracia em seu reino. E foi pelo amor e não pela força que ele se fez grande, cabendo a nós todos a reverência e o respeito.
Deus também precisa dos bons ao seu lado e o convocou à sua morada. Para nós ficam os ensinamentos, exemplos de conduta e retidão e a obrigação de mantê - lo vivo conosco sempre.
Essa toada está presente no imaginário de várias gerações. Um grito carregado de paixão e emoção que mostrava a força de um grande amor.
Mas,quem era Mundeza?
Raimundo Matias dos Santos foi um passarinho tal qual o João de barro que de galho em galho, folha em folha, gentileza em gentileza construiu uma das biografias mais ricas e belas que das bandas de cá do pé da chapada às bandas de lá dos Inhamuns, já se ouviu falar.
Gentileza é o adjetivo, agora verbo pra mim, que melhor vestia a personalidade de Mundeza (painho).
Existem pessoas que não precisam debulhar um terço por dia, nem andar com o livro sagrado em baixo do braço. Nós o reconhecemos como Cristão, na essência maior do termo, em seus atos, na sua postura diante da vida e nas relações que estabelece com as pessoas.
Raimundo Matias foi um homem que teve sabedoria para surfar nas ondas da vida, nunca sucumbindo a nenhuma delas. De postura agregadora, sempre se cercou de muita gente em sua casa. Foi um provedor até seu último suspiro.
O corpo, ultrajado pelo tempo, não acompanhou a vitalidade e juventude de sua mente. Sua disciplina o trouxe aos 101 janeiros, pois sempre teve horário para tudo e grande organização em suas tarefas.
Sua grande vitalidade e dinamismo, características que o acompanhavam, só puderam fazerem- se tão presentes por que ao seu lado tinha uma verdadeira fortaleza em forma de mulher.
Joaninha foi quem preparou o palco para que Mundeza brilhasse. Os nãos couberam - se a ela, mesmo estes sendo carregados de carinho, por vezes fôra incompreendida nessa tarefa. Foi a força dessa mulher que possibilitou que seu marido tornasse uma unanimidade. Isso era tão compreendido por ele que o próprio ria - se e nos fazia rir com as pendengas do casal.
A esse homem devoto uma imensa admiração e gratidão. Seu sangue não corre em minhas veias, nelas correm um líquido constituído de um amor profundo que me uniu a ele e a Joaninha (mainha), assim como aos seus, por toda a eternidade.
Quantas histórias contadas, quantas festas promovidas, quanta alegria disponibilizada a todos. Só um coração inundado de amor permite tal democracia em seu reino. E foi pelo amor e não pela força que ele se fez grande, cabendo a nós todos a reverência e o respeito.
Deus também precisa dos bons ao seu lado e o convocou à sua morada. Para nós ficam os ensinamentos, exemplos de conduta e retidão e a obrigação de mantê - lo vivo conosco sempre.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Feliz 2015
2015 se aproxima, confesso a vocês, amigos, que não sentirei nenhuma saudade de 2014. Nesse ano perdi pessoas queridas, vi outros adoecerem, descobri que convivia com gente com sério desvio de caráter. Hoje na praia, entreguei 2014 às águas do mar sagrado, que venha a renovação, que a tempestade chamada 2014 se vá e junto com ela todo o seu lixo. Que em 2015, amigos não sofram, que a morte não nos chegue de forma prematura ou covarde e que os maus de coração sejam inundados pelo amor do Pai. Que o amor encontre força, mesmo diante de tanta fraqueza que vive a humanidade, que a paz chegue a todos os lares e que ela seja fruto de trabalho honesto e retidão de caráter, pois como bem me lembrou um grande amigo, colhemos o que plantamos. Se plantarmos rosas, rosas colheremos; Se plantarmos vento, tempestade vingará em nossa roça. Nem sempre quem vence, vence! Que o ano vindouro traga antes de mais nada, a consciência de que precisamos de companheirismo, de lealdade, de ética e de muita caridade para com todos aqueles que cruzarem nosso caminho - Júlio Lima
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Você sabe conversar?
A maior busca do ser humano consiste em encontrar alguém que caiba em
sua loucura. "João
amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria..." Drumond,
Vinicius, Edu lobo e tantos outros compositores e poetas já descreveram as
vicissitudes das relações humanas. Fato que nos mostra que tal apanhado não é
prerrogativa das novas gerações. No entanto, a maneira como as pessoas lidam
com os contratempos e as contrariedades nas relações com seus pares tem se
mostrado diferentes no evoluir dos tempos.
Cada
pessoa constrói seu modelo de desejo, seu arquétipo perfeito que a fará feliz e
dessa forma se lança em um palheiro de dimensões exageradas na ânsia ou
esperança do encontro com seu par perfeito ou a outra banda da esfera perdida
do mito de Andrógino.
Observando
a volatilidade das relações atuais, questiono- me se algo está errado agora ou
outrora que não se acertou?
Vivemos
numa busca quase insana pelo prazer em detrimento de qualquer desconforto. Como
na maioria dos objetos, atualmente fabricados, que quando apresenta alguma
falha já não interessa seu concerto e automaticamente se troca por um novo, as
relações humanas têm seguido esse modelo.
Romances
céleres, amizades frágeis, encontros casuais, amistosos e impessoais. Não se
dispõe mais de tempo para o banco da praça, para a conversa, para pequenas
gentilezas cotidianas frutos do convívio. Será que essas coisas eram chatas
mesmo?
O
prazer é a droga do momento e, como toda substância que trás sensações intensas
em parco tempo, causa dependência e logo, logo se necessita de cada vez mais emoção que traga empacotada
doses também casa vez maiores dessa "porção" para chegar ao êxtase
tão perseguido. Em pouco tempo, o parceiro ou parceira já não satisfaz a
carência do outro. Um fosso já se instalou e agora tudo é pouco. Detalhes
pessoais de cada um no cotidiano podem receber um holofote e ser motivo para a
instalação de uma tempestade. A presença do prazer não satisfeito na dose
exigida começa a minar a relação. O outro já não representa tanto.
Observamos
pessoas abrirem mão de relações aparentemente sólidas, construídas com esmero,
para lançarem - se em aventuras em busca de alacridade cada vez mais intensa. O
céu é o limite, pena que nem sempre quantidade faz par com qualidade.
O
individualismo, estimulado pela sociedade de consumo, tem mutado e fecundado
seres que não conseguem enxergar nada além de seu próprio umbigo. Legiões de
narcisos frequentam academias, shoppings, festas, bares que se cegam para
qualquer coisa além de si mesmos. Correm o risco de terem o mesmo destino de
Narciso que se afogou e morreu inebriado por sua própria imagem.
De
outra forma, será que o ser humano está se libertando das convenções sociais
que lhes foram impostas e está dando vazão ao que existe em si como essência? A
espécie humana é poligâmica por natureza? O chakra sexual é o centro do comando
do humano e o cérebro é seu apêndice? Quem gosta de maçã, gostará de todas por
que todas são iguais?
As
sociedades se estruturaram e se estruturam por normas que indicam códigos de
condutas e, dessa forma, estabelece o que é lícito ou não; o que é certo ou
errado. Assim nasceu e vingou o conceito de família.
Em
tempos atuais esse conceito tem sido ampliado, ao mesmo tempo em que observamos
um reordenamento nessa estrutura, pois famílias se constituem e se desfazem, ou
se ampliam, com frequência cada vez maior. Joãozinho que é filho de Tiago, este
padrasto de Anita, cujo pai namora Antonio, ex- marido de Carminha, madrasta de
Cecília que está na terceira série do fundamental.
Parte
desse contexto começa a ser desenhado quando o primeiro insatisfeito decide
mudar o endereço de sua conta telefônica ainda nas primeiras crises conjugais.
A insatisfação eterna, mesmo pensada de forma diferente, geralmente não tem
alojamento no outro, sua gênese está no próprio sujeito que a aloja, que trás
em si um fosso que talvez nunca seja preenchido, onde o máximo ainda significa
o mínimo.
O
humano há muito se afeiçoou ao novo (no seu sentido de novidade), isso é pauta
encerrada. A questão que levantamos é o quanto o novo tem assumido relevância
na hierarquia de suas prioridades? Não sei se enxergo muito mal, mas a sensação
que tenho é que os transeuntes da praça estão muito acelerados e assim só
conseguem ter visão macro em seu entorno. Já não dá tempo da fruta amadurecer
em seu "pé", ainda verde é arrancada e lançada ao carbureto, é bela,
mas sem nenhum sabor. É como comida e restaurante. Alguém já comeu fora de
casa? Pratos aparentemente bonitos, bem dispostos, porém com sabor de nada.
Dessa
maneira observamos parte das relações. Já não há convivência. Pulam- se etapas
e lançam - se no carbureto da paixão, percebendo- se com brevidade que mais uma
vez o prazer mostrou- se efêmero. Passado o primeiro tesão da beleza e a
primeira gozada, instala- se o desconforto e a vontade de mudar mais uma vez.
Essa mudança pode ocorrer de forma saudável, onde a companhia é informada e
cada um segue em sua busca, ou de forma doentia, onde por covardia alguém não é
informado e passa a haver traição.
Quem está com a razão? O novo modelo nas relações ou o antigo? Quantidade ou
qualidade? Liberdade ou estado de sentir- se preso? Ética ou imoralidade? A
dualidade é o que caracteriza o ser humano e, nessa questão, você procura
alguém que caiba em sua loucura ou nos seus sonhos? O que pode ser redesenhado?
Alguma coisa pode?
Talvez
não tenhamos respostas para tais questionamentos, mas quem sabe se uma boa
conversa não minimize a rotatividade das relações?
Júlio Lima
Médico/Professor
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
sábado, 23 de agosto de 2014
De que lado você está?
![]() |
| Fonte: Internet |
Existe uma lei da
física que nos fala que o universo caminha para uma entropia. De fato,
conseguimos, por exemplo, desorganizar um ambiente com bem mais facilidade do
que deixa-lo organizado. Além de que, o ato de organizar traz consigo uma
sensação de trabalho e racionalização do processo, enquanto, muitas vezes, nem
percebemos como instalamos o caos onde estamos.
A raça
humana tem se superado cada vez mais na tarefa da autodestruição e destruição
do planeta que habita.
Guerreiam-se
no atacado por expansão de territórios e subjugação de outro povo, por
fanatismo religioso e pela aquisição ou manutenção de poder quase absoluto
destruindo inclusive sua gente. Guerreiam-se no varejo pela vaga da fila do
pão, vaga do estacionamento, da ficha no guichê, pelo espaço privilegiado no
cunhão do chefe, por trocados nem sempre lícitos, por fantasias consumistas.
O
homem aprendeu e se apegou com força à hipocrisia. O marketing lhe trouxe a
ferramenta precisa e tudo é passivo de maquiagem. Da atitude distante do
discurso e da aparência à negação da morte, vivemos um enfadonho e nebuloso
baile de máscaras social. Lobos camuflam-se de cordeiros, catacumbas
disfarçam-se de belos jardins floridos e bem cuidados.
O
sistema vende a todo o momento a ideia de felicidade plena a ser alcançada na
necessidade do acúmulo, do ter mais bens, ter mais roupas (de marcas), ter o
carro mais caro, ter mais lugares visitados, ter mais “amigos” nas redes
sociais, ter mais, ter mais, ter mais.... Se você não tem...você não é.
Para
fugir da ideia e da noda demoníaca, criada na sociedade de consumo, do não ter
e logo, não ser, o sujeito tem sido doutrinado há permanecer o tempo todo
armado e pronto para o embate e para a vantagem que pode tirar de qualquer
situação criada.
Observa-se
cada vez mais e por motivos cada vez mais banais, não sem perplexidade e pavor,
e em idades mais breves as pessoas perderem sua compostura e lançarem-se em
ataques verbais, gestuais ou físicos.
Impressiona
a pressa com que alguns têm passado da “educação” para o gesto insano de
agressividade. Para isso, basta ser contrariado, então toda sua carga de
desgostos, frustrações e desgraças são ligeiramente vomitados em frações de
segundos sobre o oponente da vez, geralmente incrédulo do espetáculo parvo que
presencia. Cena bastante frequente feita por acompanhantes de pacientes em
hospitais, por exemplo. O paciente quase nunca o faz, em bancos, restaurantes e
locais públicos.
A
busca insana pelo padrão de felicidade e facilidades vendido pelo mercado
também tem fabricado legiões de indivíduos isentos de qualquer energia para o
trabalho ou imbuídos de qualquer preceito moral. Comportam-se como hienas em
busca da caça alheia sem considerar o esforço do caçador ou urubus que fazem
festa sobre o defunto já frio e em decomposição. Nem as carcaças da presa
deixam para trás. Mercenários, estelionatários, espertos de plantão saem todo
dia de casa para te encontrar.
A
ordem do dia é lutar e vencer, vencer, vencer. Sinto muito pelo rumo que deram
a palavra vencer, tão forte e significativa e tão usurpada de seu sentido.
Espero
que não esteja muito Auguto dos Anjianos e que tão pouco veja generalização
torpe em minhas palavras. Até que gostaria de estar exagerando, pois seria
menos surreal.
É
claro. Também existe o contraponto.
Não gosto da ideia da luta do bem contra o
mau, mas da existência de um movimento entre a entropia e sua antípoda que é a
organização, o ato produtivo, a estabilidade.
Mares
bravios é que formam bons marinheiros, sofrimento trás maturidade, tragédias
pessoais trazem a realidade. Muitas vezes, o aprendizado ou algum aprendizado
chaga-nos pela dor; outras não, como pela educação do exemplo que é a que mais
acredito. Pessoas fortes e solidárias vão se moldando e é nos encontros que se
unem e juntas buscam a harmonização e trazem um equilíbrio na balança da
existência.
Certamente
não é fácil nadar contra a maré, contra a sedução das facilidades, dos
atrativos do menos trabalhoso e mais vantajoso. Resisti-los o tornam diferente
e os diferentes quase nunca são tolerados.
A
oração, a ética, a lealdade, a caridade e a solidariedade são antídotos,
atributos com altíssimos graus de complexidade e que exigem imensuráveis
investimentos pessoais.
Resistir
á tentação do pequeno delito para muitos é como uma criança resistir uma
guloseima em festa de aniversário do coleguinha.
Crescemos
ouvindo àqueles que enfrentaram tsunames ou tiveram a inteligência de
aprenderem com os exemplos, muitos desses sem estudo algum, dizerem: O mundo
dá, mas também ensina; quem encontra besta não compra cavalo; quem se mete a
redentor termina crucificado; diz-me com quem andas que direi quem és; todo dia
sai de casa um besta e um sabido. Noutra face desse prisma, santos, avatares,
ativistas, humanistas, filósofos nos transmitiram, por sua trajetória de vida
ou pelo verbo, alternativas para que não se entre no redemoinho do mundo
material, amoral e frio.
Não
me canso de expressar, embora sem nenhum conhecimento técnico ou dados que
comprovem, que a educação religiosa cumpre um papel social que as escolas pagãs
que vem lhes sucedendo não estão conseguindo fazê-lo, na contribuição da
formação ética e moral dos nossos jovens, embora entenda que o papel principal
e primordial da educação de civilidade, moral, ética é dos pais, que também têm
se excluído do processo e cobrado das escolas, que por sua vez, no mundo regido
pelo capital, quer preparar o jovem apenas para o mercado de trabalho. Este
fica no desamparo. O jovem só gostará de rezar, orar ou ir a ritos religiosos
se forem estimulados. O jovem só tratará bem o idoso, o mendigo, o doente, o
diferente com delicadeza e igualdade se tiver o exemplo próximo de quem é sua
referência.
Acredito
que vivemos uma paranoia coletiva pelo trabalho e luta das nações e das grandes
corporações por crescimento econômico que o fazem em detrimento da saúde
coletiva e individual.
Somos
um exército de escravos adestrados a acreditar que a felicidade estar no ter,
no poder e no ser social. Estamos tão doentes que condenamos e discriminamos
quem enxergando um palmo além do nariz e do umbigo encoraja-se e rompe com essa
insanidade coletiva, essa maconha estragada eterna que cega e deixa letárgico e
sem energia para reação quem está institucionalizado nesse processo.
O
bem x o mal; o In x Yang; o fogo x água; o sol x chuva; o ego x superego; ética
x imoralidade; solidariedade x individualismo; eu x meus fantasmas. Como diria
Chico Science: de que lado você samba? De que lado, de que lado, de que lado
você vai sambar?
Júlio
Lima
Médico/
Professor
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