quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal! Texto: Redescobrir-se ( Júlio Lima: Acontecências)


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Sebastião Ferreira



terça-feira, 1 de setembro de 2015

Em que crise vivemos?

Imagem extraída da internet
Quando era criança, ouvi muitas vezes minha mãe dizer: Posso não saber por que estou lhe batendo, mas com certeza, você sabe por que está apanhando. Alguém saberia me dizer por que o brasileiro está apanhando tanto? Qual foi a trela dessa vez? Quero brincar disso mais não, oxeee. Tô cansado. Como faço para sair disso?
            Isso mesmo. Qual a saída? Alguém aí sabe? Dizem que no Brasil existem 240 milhões de técnicos de futebol. Quantos são os sabidos em economia? Em gestão pública? Em estratégia de negócios? Em fórmulas mágicas para enfretamento de crises? Em lições de casa? Quantos são os que ainda não perderam o brio, a vergonha, a moral e a capacidade de se indignar diante do absurdo, do mal feito e do inescrupuloso e doentio jeitinho brasileiro?
            Acostumamo-nos sempre reclamar em atacado e sermos tolerantes, coniventes, ou até, atores quando a imoralidade é no varejo.  Levar vantagem é a ordem do dia, é a meta a ser seguida. Comprar um bem, contratar um serviço, fazer uma consulta em qualquer área do conhecimento tornou-se uma jogada de dados, aonde o sujeito tem apenas uma chance, dentre muitos procurados, de encontrar honestidade. Muitas são as possibilidades de que se encontre alguém que deseja fazer do outro, a presa do dia, a carne fresca, a refeição farta e fácil, seu meio de vida.
            Por onde andarás Dona Gentileza? O Sr. Respeito? A Sra. Educação doméstica? Dona gratidão? Será que de tanto desgosto morreram? Ouvi até dizer que com a tristeza e desgosto que lhes tomaram, encontram-se internados na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e em estado muito grave.
            Filhos desrespeitando pais e mães por reflexo do desrespeito que recebem com suas ausências e desamor ou “amor” material adquirido na grife mais próxima. Jovens se agredindo mutuamente, nóiados de tanta lombra, invisíveis aos olhos do Estado, vorazes e perversos contra quem não pertence a sua tribo.
Adultos infelizes com a profissão, com o (a) parceiro (a), com o salário, com o ambiente de trabalho, com a insegurança nas ruas, em sua casa. Escravos em sua grande maioria, escravos dos desejos não consumados, escravos dos poderes não detidos, dos objetivos não alcançados, dos bens não acumulados, dos olhares dos demais, em fim, escravos de si mesmos, mas principalmente, escravos dos bossais que n’uma jogada de ficha, n’um lance de cartas no mercado financeiro causam avalanche de terror, angústia, ansiedade, depressão, frustração em gotas diárias em sua vida. Sua vida? Sua? A quem você acha que pertencem seus melhores anos? Quem controla o humor que você estará quando encontrar os seus ou os amigos nos três períodos do dia? Por acaso, já paraste para tomar um café pensando nisso? Quem realmente comanda sua valiosa vida? De qual (quais) senhores é escravo?
E os mais velhos? O que dizer dos idosos? A Medicina e as Ciências Humanas e Sociais com suas capacidades para contornarem ou até mascararem as sequelas e o que lhes causaram, causam tanta dor física, mental e espiritual tentam fazê-los acreditar que estão na “melhor idade”. Cá para nós, seria cômico se não fosse trágico vender esse peixe, essa ideia maluca de “melhor idade”, penso eu. Em que parte, no país que vivemos, é bom ser idoso? (ás vezes custa-me muito ser politicamente correto, traz-me uma sensação terrível de hipocrisia, mesmo sendo grosseiro sem intencioná-lo ser). O desrespeito ao cidadão a partir dos sessenta janeiros é algo institucionalizado nesse país. O governo é seu principal algoz que o trata como estorvo. Adjetivos não colocam pão na mesa, nem trás dignidade a quem deu sua mão de obra e força para construção desse país tão maltratado. Talvez amenize a dor, talvez!
Não sei se Dona Gentileza, Sr. Respeito, Sra. Educação doméstica, Dona gratidão deixarão a UTI e sobreviverão aos dias atuais, às doses diárias nas nossas veias, com direito a acesso central, de desamor, individualismo, desonestidade e cegueira generalizada para enxergar o outro como continuação de si.
De quem depende mudar um destino? Que forças ou estímulos são necessários? De certo mesmo é que estamos vivendo, mais do que um período de crise financeira no país, em uma sociedade doente com sérios danos aos preceitos da boa convivência. Nessa feira de horrores há escassez de valores dos mais simples aos mais complexos. Se pararmos um instante, se quer, diante do espelho e nos perguntarmos por que estamos apanhando tanto, enquanto indivíduo e enquanto sociedade, saberemos certamente responder. Rever escolhas, mudar de atitude, trilhar seu próprio caminho requer mais que vontade, requer coragem, muita coragem, além de amor próprio e ao próximo.
 Júlio Lima

Médico/ Professor

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Material didático pós-graduação Fisioterapia - Aula 2


Material didático pós-graduação de Fisioterapia


AULA POS FISIO 1 (1).pdf

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Perfil Motor da Criança com Autismo


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Deficiente? Quem?

Vivemos em um mundo de superlativos onde a grande e avassaladora maioria de todas as estruturas são pensadas e preparadas para os indivíduos “hígidos”. Os índios fazem a seleção, não natural logo no nascimento, destruindo todo e qualquer indivíduo diferente. No Hawaí, bastava o recém- nato  apresentar um nevus para ser descartado como impuro, serviria de lanche aos tubarões (Fábio Castor). Modernamente, o darwinismo encontra respaldo no mundo gerido pelo capital e, dessa forma, é estabelecido o modelo físico e psicológico dos que deterão o provimento de cidadão e cidadã. Essa hierarquização se dá a partir do que o modelo liberal entende como adequado e apto para viver sob sua égide, ou seja, mão de obra produtiva com força motriz ligada no botão da capacidade máxima e os que estarão à margem de sua ordem social.
            Segue-se, nesse contexto, a construção de um verdadeiro mosaico onde se classifica ou estigmatiza o indivíduo por alguma característica física ou mental compreendida como “inadequada” e “ não hígida”. O indivíduo agora alheio de suas características outras recebe uma espécie de marca, ferro, carimbo, etiqueta. Como a sociedade é dinâmica e se diz evoluir, dinâmica também é a maneira como os “hígidos” balizam os deficientes. Cego passa a deficiente visual, aleijado agora é portador de necessidades especiais e, por aí vai.
            A mim causa náusea a nossa hipocrisia social e só desnuda aos meus olhos que não há interesse, além do escambo etimológico, em provocar mudanças reais, práticas e profundas no centro da questão no que concerne, além de direitos subsistenciais, direitos de autogestão e participação de processos e decisões. Há apenas uma maquiagenzinha para que não possamos nos incomodar com que vemos ou ouvimos das ‘limitações” alheias.
            A hipocrisia humana é, sem sombra de dúvidas, o maior aleijo da humanidade. Lidamos com os “não hígidos” ou deficientes da mesma forma como lidamos com a morte. Negando-os. As valas comunitárias de cadáveres na idade média foram substituídas, primeiro por catacumbas, depois jazigos em mármore e oponentes, porém em cercado distante dos centros e, por fim, lápides em belos jardins floridos. Tudo como forma de negar a existência da morte. Assim, o perneta se torna portador de necessidades especiais.
            Não consigo visualizar políticas governamentais consistentes de atenção a essa fatia da população. No Brasil, historicamente os deficientes são assuntos de igrejas, associações e entidades privadas filantrópicas com o governo atuando aí como terceira pessoa, alheio e com envolvimento totalmente superficial.
            Diariamente questiono-me quem realmente é aleijado, deficiente ou portador de necessidades especiais?
            O chefe tirano de uma repartição é o que?
            O capacho lambe-botas que se anula como pessoa é o que?
            Quem deseja sempre o impossível ou o que a outro pertence, como o denomino?
            Quem não consegue enxergar a dor, a fome, à miséria, paisagem da janela de seu cotidiano, o que é?
            Não é cego quem não enxerga um palmo além do umbigo?
O sujeito indisponível por excelência, sem tempo, nem interesse para ouvir um amigo, um conhecido ou um transeunte que o chama não é surdo?
Um verme que silencia diante de uma injustiça ou se beneficia dela. O porco que não fala a verdade e usa a mentira para iludir, enganar, ludibriar alguém, seja por trocados, facilidades ou posição social não é um mudo?
O parasita que sem menor pudor quer viver à custa de outra pessoa, sugando-lhe energia e o seu melhor não é um paralítico?
O indivíduo que amanhece amargo e destila seu azedume e não apresenta a capacidade de emitir uma palavra gentil, otimista e doce a alguém, não é um diabético descompensado?
Quem por inveja, maldade ou incompetência elimina ou impede o crescimento de alguém não é um anão?
Quem freqüenta a igreja, debulha terço, esquenta bíblia em suvaco, vive em semáforos na campanha do quilo ou nos sons dos tambores de origem africanas, mas se comporta como o sete pele em seu convívio social não é um miserável e aleijado da alma?
Então, senhoras e senhores quem realmente são os deficientes? Os aleijados? Os portadores de necessidades mais do que especiais? São os que não andam, não falam, não ouvem, os mutilados de um membro ou órgão por ausência do Estado, contingência da vida ou situações externas e alheias às suas vontades ou àqueles citados anteriormente que apresentam deformidades na alma e no caráter por opção ou dolo?
Sonho com o dia em que nós, de maneira honesta e imparcial, encararemos o “portador de necessidades especiais” por causas externas não como incapazes, mas como alguém que pode ser o que quiser dentro de suas habilidades. Quando será que teremos governos sérios que não insistirão em dificultar o trabalho dos que realmente agem?

A esperança se agiganta com a teimosia de todos que praticam o bem e no respeito ao próximo, pois tenho infinita certeza que os maus e mentirosos, verdadeiros aleijados, tropeçarão sempre em suas maldades e mentiras e que aqueles que visivelmente são deficientes por intempéries serão vistos não com os olhos da desconfiança e do desdém, mas  possam ter oportunidades, autonomia e respeito nesse mundo conservador.

 Júlio Lima
Médico/Professor

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Noroneando


terça-feira, 7 de abril de 2015

Temas para apresentação dos seminários



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Papa Francisco envia mensagem para Campanha da Fraternidade 2015 ~ CNBB Nordeste 2

Papa Francisco envia mensagem para Campanha da Fraternidade 2015 ~ CNBB Nordeste 2

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

EU E DEUS





Amar a Deus
É ser fiel como ele o é
É ter afeição e cuidado pelo mundo
É coragem para muitos nãos
É agir mais do que esperar
É agradecer mais do que aperrear






Acreditar em Deus
É estado de vigília
É fazer por onde
É vencer-se
É ir além
É persistir sempre


Seguir a Deus
É enxergar além de um palmo
É viver com ética em tempo integral
É arregaçar as mangas para labuta
É ter o pé no chão e a alma leve


Ter Deus
É compartilhar conhecimento
É ter a justiça como norte
É ter o coração firme e forte
É oferecer o verbo, o ombro, o abraço
É enxergar-se num irmão


Estar com Deus
É ter paz

Júlio Lima

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Ôôôôô Mundeeeeeeeeeeza!

Ôôôôô Mundeeeeeeeeeeza! Mundeeeeeeeeeeeeza....
            Essa toada está presente no imaginário de várias gerações. Um grito carregado de paixão e emoção que mostrava a força de um grande amor.
           Mas,quem era Mundeza?
Raimundo Matias dos Santos foi um passarinho tal qual o João de barro que de galho em galho, folha em folha, gentileza em gentileza construiu uma das biografias mais ricas e belas que das bandas de cá do pé da chapada às bandas de lá dos Inhamuns, já se ouviu falar.
           Gentileza é o adjetivo, agora verbo pra mim, que melhor vestia a personalidade de Mundeza (painho).
          Existem pessoas que não precisam debulhar um terço por dia, nem andar com o livro sagrado em baixo do braço. Nós o reconhecemos como Cristão, na essência maior do termo, em seus atos, na sua postura diante da vida e nas relações que estabelece com as pessoas.
         Raimundo Matias foi um homem que teve sabedoria para surfar nas ondas da vida, nunca sucumbindo a nenhuma delas. De postura agregadora, sempre se cercou de muita gente em sua casa. Foi um provedor até seu último suspiro.
          O corpo, ultrajado pelo tempo, não acompanhou a vitalidade e juventude de sua mente. Sua disciplina o trouxe aos 101 janeiros, pois sempre teve horário para tudo e grande organização em suas tarefas.
          Sua grande vitalidade e dinamismo, características que o acompanhavam, só puderam fazerem- se tão presentes por que ao seu lado tinha uma verdadeira fortaleza em forma de mulher.
Joaninha foi quem preparou o palco para que Mundeza brilhasse. Os nãos couberam - se a ela, mesmo estes sendo carregados de carinho, por vezes fôra incompreendida nessa tarefa. Foi a força dessa mulher que possibilitou que seu marido tornasse uma unanimidade. Isso era tão compreendido por ele que o próprio ria - se e nos fazia rir com as pendengas do casal.
          A esse homem devoto uma imensa admiração e gratidão. Seu sangue não corre em minhas veias, nelas correm um líquido constituído de um amor profundo que me uniu a ele e a Joaninha (mainha), assim como aos seus, por toda a eternidade.
          Quantas histórias contadas, quantas festas promovidas, quanta alegria disponibilizada a todos. Só um coração inundado de amor permite tal democracia em seu reino. E foi pelo amor e não pela força que ele se fez grande, cabendo a nós todos a reverência e o respeito.
         Deus também precisa dos bons ao seu lado e o convocou à sua morada. Para nós ficam os ensinamentos, exemplos de conduta e retidão e a obrigação de mantê - lo vivo conosco sempre.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Feliz 2015

2015 se aproxima, confesso a vocês, amigos, que não sentirei nenhuma saudade de 2014. Nesse ano perdi pessoas queridas, vi outros adoecerem, descobri que convivia com gente com sério desvio de caráter. Hoje na praia, entreguei 2014 às águas do mar sagrado, que venha a renovação, que a tempestade chamada 2014 se vá e junto com ela todo o seu lixo. Que em 2015, amigos não sofram, que a morte não nos chegue de forma prematura ou covarde e que os maus de coração sejam inundados pelo amor do Pai. Que o amor encontre força, mesmo diante de tanta fraqueza que vive a humanidade, que a paz chegue a todos os lares e que ela seja fruto de trabalho honesto e retidão de caráter, pois como bem me lembrou um grande amigo, colhemos o que plantamos. Se plantarmos rosas, rosas colheremos; Se plantarmos vento, tempestade vingará em nossa roça. Nem sempre quem vence, vence! Que o ano vindouro traga antes de mais nada, a consciência de que precisamos de companheirismo, de lealdade, de ética e de muita caridade para com todos aqueles que cruzarem nosso caminho - Júlio Lima

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Você sabe conversar?

                  A maior busca do ser humano consiste em encontrar alguém que caiba em sua loucura. "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria..." Drumond, Vinicius, Edu lobo e tantos outros compositores e poetas já descreveram as vicissitudes das relações humanas. Fato que nos mostra que tal apanhado não é prerrogativa das novas gerações. No entanto, a maneira como as pessoas lidam com os contratempos e as contrariedades nas relações com seus pares tem se mostrado diferentes no evoluir dos tempos.
                        Cada pessoa constrói seu modelo de desejo, seu arquétipo perfeito que a fará feliz e dessa forma se lança em um palheiro de dimensões exageradas na ânsia ou esperança do encontro com seu par perfeito ou a outra banda da esfera perdida do mito de Andrógino.
                        Observando a volatilidade das relações atuais, questiono- me se algo está errado agora ou outrora que não se acertou?
                        Vivemos numa busca quase insana pelo prazer em detrimento de qualquer desconforto. Como na maioria dos objetos, atualmente fabricados, que quando apresenta alguma falha já não interessa seu concerto e automaticamente se troca por um novo, as relações humanas têm seguido esse modelo.
                        Romances céleres, amizades frágeis, encontros casuais, amistosos e impessoais. Não se dispõe mais de tempo para o banco da praça, para a conversa, para pequenas gentilezas cotidianas frutos do convívio. Será que essas coisas eram chatas mesmo?
                        O prazer é a droga do momento e, como toda substância que trás sensações intensas em parco tempo, causa dependência e logo, logo se necessita  de cada vez mais emoção que traga empacotada doses também casa vez maiores dessa "porção" para chegar ao êxtase tão perseguido. Em pouco tempo, o parceiro ou parceira já não satisfaz a carência do outro. Um fosso já se instalou e agora tudo é pouco. Detalhes pessoais de cada um no cotidiano podem receber um holofote e ser motivo para a instalação de uma tempestade. A presença do prazer não satisfeito na dose exigida começa a minar a relação. O outro já não representa tanto. 
                        Observamos pessoas abrirem mão de relações aparentemente sólidas, construídas com esmero, para lançarem - se em aventuras em busca de alacridade cada vez mais intensa. O céu é o limite, pena que nem sempre quantidade faz par com qualidade.
                        O individualismo, estimulado pela sociedade de consumo, tem mutado e fecundado seres que não conseguem enxergar nada além de seu próprio umbigo. Legiões de narcisos frequentam academias, shoppings, festas, bares que se cegam para qualquer coisa além de si mesmos. Correm o risco de terem o mesmo destino de Narciso que se afogou e morreu inebriado por sua própria imagem.
                        De outra forma, será que o ser humano está se libertando das convenções sociais que lhes foram impostas e está dando vazão ao que existe em si como essência? A espécie humana é poligâmica por natureza? O chakra sexual é o centro do comando do humano e o cérebro é seu apêndice? Quem gosta de maçã, gostará de todas por que todas são iguais?
                        As sociedades se estruturaram e se estruturam por normas que indicam códigos de condutas e, dessa forma, estabelece o que é lícito ou não; o que é certo ou errado. Assim nasceu e vingou o conceito de família.
                        Em tempos atuais esse conceito tem sido ampliado, ao mesmo tempo em que observamos um reordenamento nessa estrutura, pois famílias se constituem e se desfazem, ou se ampliam, com frequência cada vez maior. Joãozinho que é filho de Tiago, este padrasto de Anita, cujo pai namora Antonio, ex- marido de Carminha, madrasta de Cecília que está na terceira série do fundamental.
                        Parte desse contexto começa a ser desenhado quando o primeiro insatisfeito decide mudar o endereço de sua conta telefônica ainda nas primeiras crises conjugais. A insatisfação eterna, mesmo pensada de forma diferente, geralmente não tem alojamento no outro, sua gênese está no próprio sujeito que a aloja, que trás em si um fosso que talvez nunca seja preenchido, onde o máximo ainda significa o mínimo.
                        O humano há muito se afeiçoou ao novo (no seu sentido de novidade), isso é pauta encerrada. A questão que levantamos é o quanto o novo tem assumido relevância na hierarquia de suas prioridades? Não sei se enxergo muito mal, mas a sensação que tenho é que os transeuntes da praça estão muito acelerados e assim só conseguem ter visão macro em seu entorno. Já não dá tempo da fruta amadurecer em seu "pé", ainda verde é arrancada e lançada ao carbureto, é bela, mas sem nenhum sabor. É como comida e restaurante. Alguém já comeu fora de casa? Pratos aparentemente bonitos, bem dispostos, porém com sabor de nada.
                        Dessa maneira observamos parte das relações. Já não há convivência. Pulam- se etapas e lançam - se no carbureto da paixão, percebendo- se com brevidade que mais uma vez o prazer mostrou- se efêmero. Passado o primeiro tesão da beleza e a primeira gozada, instala- se o desconforto e a vontade de mudar mais uma vez. Essa mudança pode ocorrer de forma saudável, onde a companhia é informada e cada um segue em sua busca, ou de forma doentia, onde por covardia alguém não é informado e passa a haver traição.
                        Quem está com a razão? O novo modelo nas relações ou o antigo? Quantidade ou qualidade? Liberdade ou estado de sentir- se preso? Ética ou imoralidade? A dualidade é o que caracteriza o ser humano e, nessa questão, você procura alguém que caiba em sua loucura ou nos seus sonhos? O que pode ser redesenhado? Alguma coisa pode?
                         Talvez não tenhamos respostas para tais questionamentos, mas quem sabe se uma boa conversa não minimize a rotatividade das relações?

Júlio Lima

Médico/Professor

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Natal sem fome

Amig@s, a Fundação Terra é uma instituição séria que cumpre um importante papel social. Convido-os também comprarem essa idéia!!!